Nunes demite presidente e secretário da SPTuris após denúncias

Demissões ocorrem após reportagens do portal Metrópoles que indicam contratos suspeitos

Nunes decidiu pela demissão após apuração da controladoria

Nunes decidiu pela demissão após apuração da controladoria | Divulgação/Secom

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou a demissão do secretário-adjunto de Turismo (SPTuris), Rodolfo Marinho, na noite desta quarta-feira (25/2). O mandatário anunciou também que o subprefeito da Sé, Coronel Salles, assumirá a presidência da SPTuris no lugar de Gustavo Pires – o emedebista não citou Pires diretamente.

As demissões ocorreram após uma série de reportagens do portal Metrópoles que indicam contratos milionários da SPTuris com empresa de ex-sócia de Marinho.

Segundo o portal, a empresa MM Quarter Produções e Eventos está no nome de Nathalia Carolina da Silva Souza, que além de ex-sócia, também trabalhou com Marinho em um gabinete de deputado.

Após as denúncias, Nunes pediu para que a Controladoria Geral do Município (CGM) investigasse o caso.

“Hoje a controladoria me trouxe documentos referentes a esta apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho”, disse o prefeito.

Entenda

De acordo com o portal G1, a agência Quarter assinou pelo menos 24 contratos somento com a SPTuris para prestação de serviços de eventos, com valor superior a R$ 239 milhões em quatro anos. 

Um dos contratos ativos é para a contratação de guias de turismo bilíngues para o atendimento de turistas durante o Carnaval de rua, com contrato de R$ 9,4 milhões.

Nathalia foi sócia minoritária do secretário Rodolfo Marinho da Silva em uma empresa de comunicação, a Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços eleitorais ao vereador Gilberto Nascimento JR (PL) e o pai dele, o deputado federal Gilberto Nascimento, nas campanhas de 2020 e 2022. Ela tinha 1% da empresa.

Nathália e Rodolfo Marinho também trabalharam juntos no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) em 2017, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

O que diz a empresa

Em respostas enviadas ao G1, a MM Quarter nega as acusações. Leia na íntegra:

“A MM Quarter vem a público esclarecer, de forma objetiva e responsável, os questionamentos apresentados, reiterando que as insinuações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos.

1.Rodolfo Marinho é sócio oculto da MM Quarter?

Não procede. O quadro societário da MM Quarter encontra-se regularmente registrado na Junta Comercial. A empresa não possui sócios ocultos nem qualquer estrutura paralela de controle societário.

2. Por que o nome de Marcelo Camargo Moraes não consta no quadro societário?

O Sr. Marcelo mantém vínculo contratual com a MM Quarter na modalidade de prestação de serviços por Pessoa Jurídica, com emissão regular de nota fiscal pelos serviços prestados.

3. Qual o papel do Sr. Marcelo Camargo Moraes na empresa?

Marcelo exerce a função de líder de operação e gestão da empresa, atribuições previstas em seu contrato. O instrumento contratual está disponível para consulta pelas autoridades competentes.

4. Sobre a alegação de que a sócia majoritária seria “laranja”

A afirmação é inverídica. A sócia está sempre presente e exerce funções efetivas de direção, gestão, tomada de decisões estratégicas, condução operacional e acompanhamento da execução dos contratos assinados pela empresa. Sua evolução patrimonial é compatível com a atuação da empresa no mercado. Seus bens constam na declaração de Imposto de Renda e estão formalmente registrados e declarados às autoridades competentes.

5. Sobre a alegação relativa à residência da sócia

A sócia não reside no imóvel divulgado. A fotografia mencionada data do ano de 2011 e refere-se a imóvel no qual a sócia residiu há pelo menos 12 anos. A utilização de registro desatualizado induz a interpretação equivocada dos fatos.

6. Há parentes do Sr. Marcelo Camargo Moraes na empresa?

A MM Quarter possui estrutura formal de contratação e processos administrativos regulares. Eventuais vínculos pessoais não configuram irregularidade, desde que inexistente conflito de interesses ou violação legal, o que não ocorre. Todas as contratações observam a legislação trabalhista e as normas internas da empresa.

7.A Sra. Nathalia Carolina da Silva Souza gostaria de se manifestar sobre a investigação e sobre o suposto apontamento de que seria “laranja” da empresa?

A Sra. Nathalia prefere não se manifestar sobre o tema. A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência, confiando que os fatos serão devidamente apurados.

8- Segundo o apurado pelo g1, desde 2022, a agência Quarter assinou 19 contratos só com a SPTuris para prestação de serviços de eventos. Eles somam mais de R$ 229 milhões em quatro anos. Um dos contratos ativos atualmente – em 2026 – é para a contratação de guias de turismo bilíngues para o atendimento de turistas durante o carnaval de rua da capital paulista. O contrato é de R$ 9,4 milhões.

O contrato mencionado possui valor global estimado de R$ 9,4 milhões, conforme previsto no instrumento contratual. Contudo, é importante esclarecer que se trata de contrato por demanda, cujo valor representa teto máximo estimado e não necessariamente o montante integral executado.

Especificamente em relação ao Carnaval de Rua, o valor efetivamente utilizado para a operação foi de R$ 2.987.443,57, correspondente aos serviços efetivamente demandados e prestados no período.”