Em 2026, os eleitores brasileiros vão às urnas para escolher o presidente da República, o governador, dois senadores, um deputado federal e um deputado federal. Serão seis votos ao total que definirão o futuro político do País pelo menos pelos próximos quatro anos.
Um fator permanece claro: o pleito ainda ocorrerá sob a polarização política que marcou os últimos anos. “Tudo indica que isso não mudará. Ainda haverá fortemente essa polaridade entre bolsonarismo e o lulismo”, explicou o cientista político Elias Tavares em entrevista à Gazeta.
Se não houver imprevistos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será candidato à reeleição, e é considerado favorito, ainda mais após recuperar a partir do fim do ano passado parte da popularidade perdida desde a posse, em 2023.
No campo da direita, o cenário parece mais confuso, com uma série de nomes podendo aparecer nas urnas. O que fez mais barulho recentemente foi Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador e filho de Bolsonaro, que anunciou a candidatura ao cargo máximo do País sob a bênção do pai.
Ao mesmo tempo, há outras figuras que podem aparecer, como os governadores Tarcísio de Freitas (de São Paulo, Republicanos), Ratinho Jr (Paraná, PSD), Ronaldo Caiado (União Brasil, Goiás) e Romeu Zema (Novo, Minas Gerais).
A figura de Flávio gera polêmica, principalmente pela rejeição crescente que a família tem, apesar dos defensores ardorosos.
“Para ganhar de Lula eu não apostaria em Flávio. Mas eu vejo que pode ser uma aposta do núcleo bolsonarista para não perder protagonismo mesmo perdendo as eleições. Se alguém mais centrado disputar, o bolsonarismo corre maior risco de perder relevância para as próximas eleições”, explicou Tavares.
Fora do espectro bolsonarista há ainda Renan Santos, do recém-criado Missão, partido nascido a partir do MBL, e Eduardo Leite (PSD), governador gaúcho que se desgrudou de forma clara da batuta de Bolsonaro. Existe ainda a possibilidade de Ciro Gomes (PSDB) colocar o nome nas urnas.
Governo de São Paulo
Há uma torcida em parte das lideranças políticas direita paulista: Tarcísio se lançar à Presidência. O consenso é que haveria chance quase nula a outros nomes caso o governador busque a reeleição. Por ora, a possibilidade oficial é a de Tarcísio tentar mais uma vez o cargo no Estado.
“Meu foco sempre esteve em São Paulo. Temos muita coisa para entregar para as pessoas ao longo dos próximos anos e quero fazer parte disso”, disse o mandatário em entrevista à Gazeta em dezembro.
Entre os nomes que já deram algum aceno que podem concorrer ao cargo pela direita estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab; o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra; o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e; o empresário Felipe D’Ávila (Novo).
Já o campo da esquerda pode surgir com nomes como a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o ministro Fernando Haddad (PT).
“Se eu fosse conselheiro da esquerda, eu apostaria em um nome de centro-esquerda: o vice-presidente Geraldo Alckmin [PSB]. A meu ver, é o único que teria chance de ganhar as eleições”, destacou Tavares.
Questionado se Alckmin de fato é um nome de esquerda, Tavares completou: “Hoje, sim, está desse lado”.
Senado
As eleições de 2026 colocarão em disputa duas vagas para o Senado Federal em cada um dos 26 estados e no Distrito Federal. Como o mandato é de oito anos e cada estado tem direito a três senadores, as eleições se alternam entre a escolha de um e dois representantes por estado.
Uma dúvida comum é se é possível votar duas vezes no mesmo candidato. A resposta é não. Segundo uma publicação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRT-MT), o eleitor precisa votar em dois senadores diferentes.
“Se tentar votar duas vezes no mesmo candidato ao Senado, o segundo voto será anulado”, explicou o tribunal.
Atualmente, os senadores por São Paulo são Giordano (MDB), Mara Gabrilli (PSD) e Marcos Pontes (PL). Os mandatos dos dois primeiros chegam ao fim com as eleições de 2026.
A renovação de dois terços representa a disputa de 54 das 81 cadeiras da Casa no próximo ano.
Deputados em São Paulo e no Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, por unanimidade, em decisão proferida em outubro, que as eleições de 2026 vão eleger o número atual de deputados federais, 513 parlamentares.
Todos os ministros da Corte votaram para referendar a decisão do relator Luiz Fux, para que a possível ampliação passe a valer apenas a partir de 2030.
A liminar referendada de Fux atendeu pedido do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), de manter o número atual nas próximas eleições.
Em junho, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais.
Já a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a maior casa de leis estadual do Brasil, renovará os 94 deputados estaduais.
As eleições brasileiras de 2026 serão realizadas em primeiro turno em 4 de outubro. Em caso de necessidade, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.









