O que será votado no Congresso em 2026? Ano eleitoral encurta agenda e trava reformas

Deputados e senadores focam em medidas de efeito imediato no consumo e na renda; evitam temas que geram desgaste

Corrida contra o relógio: em 2026, o Congresso Nacional terá uma das janelas legislativas mais curtas da década devido ao calendário eleitoral, priorizando pautas de efeito imediato

Corrida contra o relógio: em 2026, o Congresso Nacional terá uma das janelas legislativas mais curtas da década devido ao calendário eleitoral, priorizando pautas de efeito imediato | CottonBro

O calendário político de Brasília em 2026 deve ser marcado por uma agenda legislativa mais curta do que o habitual. Com as eleições de outubro no horizonte, o Congresso Nacional tenta avançar na votação de projetos que podem impactar diretamente o funcionamento do Estado e o orçamento das famílias.

Historicamente, anos eleitorais influenciam o ritmo das votações no Legislativo. Propostas com potencial de gerar efeitos imediatos para o eleitorado costumam ganhar prioridade, enquanto reformas estruturais mais complexas ou controversas tendem a enfrentar maior resistência ou a ser adiamentos.

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Imposto de Renda: a promessa de isenção no topo da pauta

Entre os temas que concentram atenção no Congresso está a proposta de atualização da tabela do Imposto de Renda. A medida prevê ampliar a faixa de isenção para contribuintes que recebem até R$5 mil por mês.

O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado, com expectativa de discussão ainda no primeiro semestre desse ano.

Para o Governo do Brasil e parte dos parlamentares, a eventual aprovação da medida pode ampliar a renda disponível de milhões de trabalhadores.

Ao mesmo tempo, o debate técnico gira em torno das alternativas para compensar a possível perda de arrecadação. Entre as propostas em discussão estão mudanças na tributação de lucros e dividendos e ajustes em regras relacionadas ao capital próprio das empresas.

Reforma Tributária: a corrida para regulamentar as novas regras

Enquanto o debate sobre o Imposto de Renda trata de efeitos mais imediatos para o contribuinte, a Reforma Tributária avança em uma etapa considerada mais técnica.

O foco atual do Congresso está na regulamentação das normas aprovadas recentemente, incluindo dispositivos da Lei Complementar nº 227.

Esse processo envolve a definição de regras para os novos tributos previstos na reforma, como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Especialistas de escritórios como Trench Rossi Watanabe e Demarest apontam que esse período funciona como uma fase de adaptação para empresas e administrações públicas, que precisam ajustar sistemas e procedimentos às novas regras.

Entre os pontos ainda em debate estão mecanismos como o cashback tributário para famílias de baixa renda e formas de fiscalização de transações realizadas no ambiente digital.

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Impasse administrativo: reforma segue travada por falta de consenso

Em contraste com outras pautas, a Reforma Administrativa continua enfrentando dificuldades para avançar no Congresso.

A PEC 32/2020, que propõe mudanças na estrutura do serviço público, está parada na Câmara dos Deputados desde 2021, aguardando eventual inclusão na pauta do plenário.

Mais recentemente, a PEC 38/2025, apresentada com apoio de parlamentares, buscou reabrir a discussão sobre possíveis alterações na estrutura e na gestão do funcionalismo público.

Apesar da pressão de setores econômicos que defendem a proposta como forma de ampliar o controle sobre gastos públicos, o texto enfrenta resistência de entidades representativas do funcionalismo — como a ANFPA Sindical e o Sindjud-PE — além de críticas de especialistas em Direito.

Esses grupos apontam possíveis riscos de inconstitucionalidade e alertam para a eventual precarização de direitos dos servidores.

Em anos eleitorais, propostas que tratam de carreiras públicas e regras de estabilidade costumam enfrentar maior cautela entre parlamentares, o que pode limitar o avanço da pauta no curto prazo.

Calendário apertado: como as eleições de 2026 encurtam o ano legislativo

Nos próximos meses, o Congresso deve trabalhar dentro de uma chamada “janela legislativa” mais curta. Tradicionalmente, a atividade parlamentar diminuir a partir do segundo semestre, quando muitos congressistas passam a dedicar mais tempo às agendas em seus estados e bases eleitorais.

Por isso, o primeiro semestre costuma concentrar as decisões mais relevantes do ano. É nesse período que projetos econômicos de maior impacto costumam avançar ou, em alguns casos, ficar pelo caminho.

Para o cidadão, o resultado dessas votações pode aparecer diretamente no dia a dia — seja no valor pago em impostos, nas regras que afetam empresas e empregos ou na forma como o Estado organiza seus gastos.

Entre propostas de simplificação tributária e debates sobre eficiência da administração pública, o que for decidido agora tende a influenciar o rumo da economia brasileira no próximo ciclo de governo.