A apuração do segundo turno das Eleições de 2026 desenhou um mapa político dividido em todo o País, mas nenhum lugar refletiu esse equilíbrio de forma tão exata quanto Marquinho, no centro-sul do Paraná. Entre os 5.570 municípios brasileiros, a pequena cidade foi a única a registrar um empate matemático perfeito na disputa para a Presidência da República: exatamente 1.530 votos para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o mesmo número para o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Com o resultado, cada um dos postulantes ao Palácio do Planalto ficou com precisamente 50% dos votos válidos no município.
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A matemática da igualdade em Marquinho
Com uma população de 4.504 habitantes (segundo o Censo 2022 do IBGE) e 3.875 eleitores aptos a votar, Marquinho registrou o comparecimento de 3.127 eleitores no domingo (25/10).
Além dos 3.060 votos válidos divididos igualmente entre PT e PL, as urnas da cidade contabilizaram:
- 25 votos em branco;
- 42 votos nulos;
- 748 abstenções (uma taxa de 19,3%).
A participação do eleitorado local aumentou em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando 3.071 pessoas votaram e a abstenção foi de 20,77%.
A virada que levou ao equilíbrio
A igualdade no segundo turno foi fruto de uma movimentação do eleitorado entre as duas etapas da votação. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia liderado a preferência em Marquinho com 1.473 votos, enquanto Lula somou 1.337 votos, uma vantagem de 136 votos para o candidato do PL.
Outros postulantes, como Ronaldo Caiado (65 votos), Augusto Cury (62 votos) e Renan Santos (33 votos), dividiram o restante das urnas na primeira fase. Com o afunilamento da disputa, a migração dos votos nulos, brancos e de terceiros candidatos fez com que a vantagem de Flávio desaparecesse no segundo turno, culminando na igualdade exata.
Empate muda o resultado da eleição?
Diferente do que ocorre em eleições municipais, onde um empate para o cargo de prefeito é resolvido pelo critério de idade do candidato, o resultado em Marquinho não gerou a necessidade de desempate ou nova votação.
Como a eleição presidencial é decidida pela contagem absoluta e somatória de todos os votos válidos no território nacional, os 1.530 votos de cada candidato em Marquinho foram simplesmente incorporados ao total do país. No balanço final nacional, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos (48,21%).
Curiosidade: o que aconteceu com os empates do 1º turno?
Marquinho foi a única cidade a empatar na fase final, mas o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 já havia registrado igualdade em outros dois municípios do país: Trabiju (SP) (onde cada candidato recebeu 574 votos) e Crixás do Tocantins (TO) (com 679 votos para cada).
No entanto, no segundo turno, o empate nessas localidades foi desfeito. Em Trabiju, por exemplo, Lula garantiu a vitória com 52,04% dos votos válidos contra 47,96% de Flávio Bolsonaro, deixando Marquinho isolada como o único reflexo de simetria perfeita da polarização nacional nas urnas.














