Quem gosta de explorar destinos a pé ganhou uma nova opção em Florianópolis. A cidade oficializou uma trilha contínua de 95,2 quilômetros que atravessa a Ilha de Santa Catarina de Norte a Sul.
O percurso conecta praias, dunas, mirantes e locais de interesse histórico e arqueológico. Assim, os caminhantes podem conhecer diferentes paisagens em uma única viagem.
Batizado de Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), o trajeto liga a Caieira da Barra do Sul, no extremo Sul, à Praia de Canasvieiras, no Norte.
Os visitantes também podem percorrer a rota no sentido inverso. A travessia completa, porém, exige planejamento e pelo menos uma pernoite.
A Prefeitura de Florianópolis oficializou a iniciativa em 20 de outubro, por meio do Decreto nº 29.806. A medida organiza caminhos e trilhas existentes em um percurso de longo curso.
A proposta também estabelece diretrizes para a conservação ambiental e o planejamento da visitação.
Trilha de 95 km atravessa dez unidades de conservação
Ao longo da caminhada, os visitantes encontram paisagens variadas, desde praias até morros com até 232 metros de altitude.
O trajeto atravessa 10 unidades de conservação, conectando áreas importantes para a proteção da biodiversidade da ilha.
Entre os locais incluídos estão o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste e o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri.
A rota também passa pelo Parque Estadual do Rio Vermelho e pelo Monumento Natural Municipal da Galheta.
O caminho incorpora percursos conhecidos por moradores e praticantes de trilhas. Entre eles estão o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa.
A diversidade ambiental é outro atrativo. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, aproximadamente 41% da área terrestre de Florianópolis está protegida por unidades de conservação.
A ilha também registra cerca de 400 espécies de aves. Entre julho e novembro, os visitantes podem ter a oportunidade de avistar baleias-francas-austrais no litoral catarinense.
A observação depende das condições ambientais e do local escolhido. Por isso, os caminhantes devem respeitar as orientações de segurança e conservação.
Caminhada passa por áreas históricas e arqueológicas
A experiência não se limita às paisagens naturais. O Caminho da Ilha de Santa Catarina também atravessa áreas que preservam registros da ocupação humana.
A ilha reúne vestígios arqueológicos como sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas. Esses registros ajudam a compreender a presença humana na região há milhares de anos.
Com isso, a trilha combina contato com a natureza, atividade física e patrimônio cultural. O percurso oferece diferentes possibilidades de exploração ao longo da caminhada.
A rota também atravessa ambientes característicos da Mata Atlântica, incluindo florestas, restingas e áreas próximas a manguezais.
Como o trajeto passa por espaços protegidos, os visitantes precisam observar as regras ambientais específicas de cada trecho.
Travessia exige pernoite e pode movimentar comunidades
Por causa da extensão de 95,2 quilômetros, a travessia completa exige pelo menos uma pernoite. O planejamento deve considerar o ritmo de caminhada e as condições do percurso.
Os visitantes também precisam verificar os serviços disponíveis ao longo do caminho. Essa preparação ajuda a organizar paradas para alimentação, descanso e hospedagem.
A iniciativa pretende estimular o turismo de base comunitária. O modelo busca valorizar os moradores e distribuir os benefícios econômicos da atividade turística.
Localidades como Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses podem receber caminhantes interessados em serviços locais.
A oferta pode incluir hospedagem, alimentação e condução turística. Dessa forma, a trilha também pode criar oportunidades para pequenos negócios e trabalhadores das comunidades.
A proposta se relaciona à Política Municipal de Turismo de Base Comunitária, instituída pela Lei nº 11.457/2025.
A iniciativa busca incentivar experiências turísticas que contribuam para a economia local. Ao mesmo tempo, pretende conciliar a visitação com a preservação ambiental.
Regras ambientais orientam os visitantes
A oficialização do caminho também estabelece diretrizes para preservar as áreas naturais e o patrimônio cultural ao longo da rota.
Entre as condutas proibidas estão o descarte irregular de resíduos, a captura de espécies nativas e a alimentação de animais silvestres.
Os visitantes também não podem danificar placas ou equipamentos de sinalização. Além disso, devem respeitar as regras específicas de cada unidade de conservação.
Modificar o traçado dos caminhos ou instalar estruturas sem autorização também exige atenção às normas aplicáveis.
A Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) ficará responsável pela coordenação da trilha. O planejamento também prevê a possibilidade de conectar ramais a outros atrativos.
A formalização do CAISCA reúne caminhos já utilizados em um roteiro único. A iniciativa estabelece bases para organizar a visitação, proteger a natureza e valorizar as comunidades da Ilha de Santa Catarina.
Como chegar saindo da capital paulista
Saindo da capital paulista, a opção mais prática é viajar de avião até Florianópolis e seguir de carro ou transporte local até o ponto de início da trilha, na Caieira da Barra do Sul.
De carro, são aproximadamente 690 km e de 9 a 10 horas de viagem, pelas rodovias BR-116, BR-376 e BR-101. Já de avião, o voo direto leva cerca de 1h30. Ao chegar à capital catarinense, é necessário seguir até a Caieira da Barra do Sul, ponto inicial da trilha.






