PF terá acesso a dados de ONG ligada à produção de filme sobre Bolsonaro

Organização ligada à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) terá acesso a informações apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo durante uma operação no Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O compartilhamento do material foi autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão assinada em 21 de agosto. O conteúdo será utilizado no inquérito que apura a suspeita de que emendas parlamentares tenham sido destinadas ao financiamento da produção do filme. A decisão é sigilosa e foi divulgada pelo jornal O Globo.

Entre os materiais que poderão ser analisados pela PF estão dados de computadores e celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros. Também foram disponibilizados relatórios já produzidos pela Polícia Civil a partir das mídias apreendidas.

O Instituto Conhecer Brasil foi alvo, em junho, da Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo para investigar suspeitas de fraude em um contrato de internet pública firmado com a Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões por ano. A investigação apura ainda se parte dos recursos do contrato teria sido desviada para financiar o filme.

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Uma gravação de áudio, divulgada em 13 de maio pelo The Intercept Brasil, também revela a estreita relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O site revelou um pedido de apoio financeiro de Flávio Bolsonaro para o filme.

A entidade é ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do instituto e sócia da Go UP Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”. Segundo a PF, os elementos recolhidos durante as buscas em endereços ligados à ONG, à empresária e a outras empresas podem contribuir para aprofundar a investigação conduzida pelo STF.

O inquérito foi aberto após Dino determinar que a Controladoria-Geral da União (CGU) apurasse a destinação de emendas dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura (ANC). As entidades seriam vinculadas a um mesmo núcleo de gestão coordenado por Karina.

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A PF também investiga as relações empresariais da empresária e de suas empresas, além de possíveis doações eleitorais relacionadas aos investigados.

Até o momento, as investigações apuram suspeitas, e não há conclusão sobre eventual desvio de recursos ou irregularidades na produção do filme.