PGR denuncia Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado

Outras 33 pessoas também foram denunciadas; análise será feita primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF)

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde 22 de novembro

Bolsonaro também foi denunciado por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa | Antonio Cruz/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou na noite desta terça-feira (18/2), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de estado.

O grupo, que inclui o candidato a vice-presidente o general da reserva Walter Braga Netto, também vão responder por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

A denúncia será julgada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), colegiado composto pelo relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. 

Se a maioria dos ministros aceitar a denúncia, Bolsonaro e os outros acusados viram réus e passam a responder a uma ação penal no STF. Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do Tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação será julgada pelo colegiado.

A data do julgamento ainda não foi definida. Considerando os trâmites legais, o caso pode ser julgado ainda neste primeiro semestre de 2025. 

A PGR se baseou no relatório da Polícia Federal que, em novembro do ano passado, concluiu pelo indiciamento de Bolsonaro e outras 36 pessoas.

De acordo com comunicado da PGR, as peças acusatórias “baseiam-se em manuscritos, arquivos digitais, planilhas e trocas de mensagens que revelam o esquema de ruptura da ordem democrática. E descrevem, de forma pormenorizada, a trama conspiratória armada e executada contra as instituições democráticas.”

Ação planejada, diz Procuradoria-Geral

De acordo com as investigações, o plano começou em 2021, com “os ataques sistemáticos ao sistema eletrônico de votação, por meio de declarações públicas e na internet”. Em julho do ano seguinte, Bolsonaro se reuniu com embaixadores e representantes diplomáticos para espalhar dúvidas sobre as urnas eletrônicas.

Segundo a PGR, as acusações “conhecidas e desmentidas” sobre fraudes nas urnas eletrônicas visava “preparar a comunidade internacional para o desrespeito à vontade popular nas eleições presidenciais.”

A denúncia da Procuradoria-Geral ainda cita mobilização de órgãos de segurança para impedir eleitores de votar no presidente Lula, no segundo turno das Eleições, e que as pessoas envolvidas facilitaram os atos de violência e depredação de 8 de janeiro de 2023.

“Ao não encontrarem falhas no sistema eleitoral, os envolvidos mantiveram o discurso de fraude e mantiveram a militância com os acampamentos montados em frente a quartéis do Exército em várias capitais do país”, diz outro trecho da denúncia.

Pressão no Exército e última tentativa

A denúncia, baseada no relatório da PF, afirma que “a organização criminosa pressionou o Comandante do Exército e o Alto Comando, formulando cartas e agitando colegas em prol de ações de força no cenário político para impedir que o presidente eleito assumisse o cargo”. Cita ainda a minutas de formalização de quebra da ordem constitucional, que incluía pedido de prisão de ministros do STF.

Segundo a PGR, o plano de execução de golpe admitia a morte de Lula e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), além de ministros do STF, e que esses planos tinham anuência de Bolsonaro.

Para a Procuradoria-Geral, a violência de 8 de janeiro era a última tentativa do grupo para aplicar o golpe de Estado. A depredação das sedes dos Três Poderes gerou prejuízos de mais de R$ 20 milhões.

* Com informações da Agência Brasil e comunicação da Procuradoria-Geral da República