PGR revela detalhes de suposto esquema golpista ligado a Bolsonaro

Alvos da ação incluem militares, ex-ministros e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde 22 de novembro

Ex-presidente Jair Bolsonaro é condenado por tentativa de Golpe de Estado | Antonio Cruz/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e participação em organização criminosa.

O pedido faz parte das alegações finais apresentadas no processo que investiga o plano de ruptura institucional atribuído ao núcleo próximo do ex-presidente.

Segundo a PGR, Bolsonaro liderou uma organização criminosa armada que buscava desacreditar o sistema eleitoral, incentivar ataques a instituições democráticas e articular medidas de exceção.

Os crimes atribuídos ao ex-presidente são:

  • Organização criminosa armada (Lei 12.850/2013)
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal)
  • Tentativa de golpe de Estado (art. 359-M do CP)
  • Dano qualificado contra o patrimônio da União (art. 163, parágrafo único, do CP)
  • Deterioração de patrimônio tombado (Lei 9.605/1998)

Outros acusados no processo

A PGR também solicitou a condenação de ex-ministros, militares e aliados próximos de Bolsonaro:

  • Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin e deputado federal): organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.
  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha): organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça): organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
  • Augusto Heleno (ex-ministro do GSI): organização criminosa armada.
  • Braga Netto (ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice): organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa): organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Caso Mauro Cid

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid é tratado como réu colaborador. A PGR reconhece que ele ajudou a esclarecer o funcionamento da organização, mas aponta omissões relevantes.

Por isso, o órgão solicita redução de um terço da pena, mas não a concessão de perdão judicial.

Cid é acusado de participar do planejamento de golpe de Estado, promover ataques a instituições como STF e TSE e divulgar informações falsas sobre o sistema eleitoral.