Projeto polêmico de Suplicy quer criar espaço para uso de drogas; entenda

Proposta de deputado petista causou controvérsia; prefeito disse que ideia 'não tem cabimento'

Procedimento foi realizado com sucesso e sem intercorrências, agora, Suplicy segue estável

Parlamentar recebeu, em julho deste ano, diagnóstico de um tipo de câncer que afeta células do sistema linfático | Afonso Braga/Câmara Municipal de SP

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) apresentou um projeto de lei na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) que autoriza a criação de espaços seguros para o uso de drogas no em todo o Estado.

A proposta recebeu apoio de parte dos especistas e de grupos políticos, mas também causou polêmica. O prefeito Ricardo Nunes (MDB), por exemplo, gravou um vídeo dizendo “não ter cabimento” a ideia do parlamentar.

Supervisão de profissionais

Segundo a proposta, protocolado na segunda (10/3), os locais devem atender usuários em situação de vulnerabilidade, oferecendo supervisão por profissionais durante o consumo de substâncias.

Os entorpecentes, porém, não seriam fornecidas no local.

Pela proposta de Suplicy, o espaço tem a pretensão de:

  • reduzir danos associados ao uso de substâncias;
  • fomentar a inclusão social e vínculos familiares e comunitários;
  • oferecer atendimento multidisciplinar;
  • ofertar espaços, materiais e atividades para cuidado e desenvolvimento pessoal.

O parlamentar destacou que o modelo já é utilizado em locais como:

  • Suíça
  • Holanda
  • Alemanha
  • Dinamarca
  • Espanha
  • Canadá
  • México
  • Austrália
  • França
  • Nova York, nos Estados Unidos

Ainda segundo o texto, as cenas de uso aberto de drogas, como ocorrem na região conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, e em outros lugares, prejudicam moradores e  comerciantes,  além de submeter os usuários “à extrema situação de vulnerabilidade, violência e falta de dignidade”.

Suplicy destacou, também, que as cracolândias espalhadas pelo Estado causam gastos de orçamento público direcionados à questão.

“É necessário que o Poder Público repense as políticas que foram empregadas nestas últimas décadas e procure diversificar suas táticas”, afirma o projeto.

O estudo orçamentário incluído no projeto estima um custo anual de R$ 1,27 milhão para cada unidade, com uma equipe de 15 profissionais.