PSDB, que vive crise histórica, já venceu 7 eleições seguidas para o Governo de SP

Partido conquistou Governo de São Paulo entre 1994 e 2018; hoje, porém, partido vive crise sem precedentes

A ascensão do bolsonarismo foi um dos fatores que tirou a força tucana no Brasil

A ascensão do bolsonarismo foi um dos fatores que tirou a força tucana no Brasil | Divulgação/PSDB

O partido que mais venceu as disputas para o Governo de São Paulo desde a redemocratização do Brasil, em 1985, é o PSDB. A sigla conquistou sete eleições consecutivas entre 1994 e 2018. 

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Essa sequência só foi interrompida em 2022 com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Àquela altura, a legenda já vivia uma crise que fez que perdesse relevância na política nacional.

O outro partido que conquistou o governo pelas eleições diretas foram o PMDB (atual MDB) em 1986 e em 1990.

Crise tucana

A ascensão do bolsonarismo criou uma crise sem precedentes no PSDB. Em 2022, pela primeira vez, o partido não lançou qualquer candidato a presidente, após uma disputa entre o então governador paulista, João Doria, e o seu homólogo gaúcho, Eduardo Leite.

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Os problemas internos do partido em São Paulo, cidade onde nasceu, escalou novos níveis nos anos seguintes, e encontrou seu ápice nas eleições municipais de 2024.

Uma ala tucana defendeu apoio ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), enquanto um outro grupo buscou por uma candidatura própria após o prefeito paulistano negar a vaga de vice ao tucanato – o que seria uma troca ao que aconteceu em 2020, quando Nunes foi eleito como vice de Bruno Covas (PSDB), prefeito que morreu em maio de 2021.

A decisão de lançar o apresentador José Luiz Datena fez com que todos os oito vereadores tucanos na Câmara Municipal de São Paulo migrassem para outros partidos.

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Datena se candidatou à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB/Bruno Hoffmann

O jornalista terminou o pleito com resultado considerado pífio com 1,8% dos votos válidos, enquanto o partido não conseguiu eleger qualquer vereador nas eleições deste ano, o que nunca tinha acontecido na história do partido na Capital.

Em fevereiro deste ano, seis deputados tucanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) migraram para o PSD: Rogério Nogueira, Carlão Pignatari, Barros Munhoz, Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary e Mauro Bragato.

Mais para frente, Carla Morando também seguiu para o PSD, enquanto Bruna Furlan foi para o Republicanos.

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Ou seja, o PSDB começou o ano com 8 deputados na Alesp. Hoje só tem uma: Ana Carolina Serra, que trocou o Cidadania pela sigla na janela partidária.

‘Canibalismo’

À Gazeta, o presidente estadual do PSDB, Paulo, Serra afirmou que “continua respeitando o presidente da executiva nacional do PSD”, a quem classificou como um grande dirigente partidário, mas disparou críticas pelo método para convencer os tucanos a trocarem de sigla.

“Lamento profundamente a forma desrespeitosa de cooptação de quadros. Este tipo de ‘canibalismo’ dentro da base do governador, a meu ver, em nada ajuda na construção de um projeto nacional de centro”, disse Serra.

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Paulo Serra ao lado de Aécio Neves/Divulgação

Segundo ele, o PSDB está passando por um processo de transformação, e da mesma forma que há nomes saindo, “tem grandes quadros ingressando nas fileiras do partido, e com sangue novo, representatividade e vontade de reconstruir um projeto de gestão que já provou que dá certo”.

“Importante destacar que o PSD é da base do PT no governo federal e contribui com um modelo de governo que não funciona mais. Isto, certamente, poderá ser explorado na campanha eleitoral daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil”, finalizou o dirigente, que também é vice-presidente nacional tucano

Dificuldade do PT em São Paulo

Algo que chama atenção nas eleições paulistas é o fato de o PT nunca ter chegado ao Governo de São Paulo. Uma série de fatores podem explicar o insucesso eleitoral do partido que já venceu cinco pleitos presidenciais e três para a prefeitura da capital paulista.

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Para o cientista político Elias Tavares, colunista da Gazeta, os principais motivos são a falta de capilaridade no interior, a força do agronegócio e a desidratação do “cinturão vermelho” no ABC, que historicamente era um reduto petista.

Elias Tavares é colunista de política da Gazeta/Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

Esse perfil deu combustível para a manutenção do PSDB por tanto tempo, disse. “Ao ponto que o Estado era chamado de Tucanistão”, lembrou Tavares.

O partido ainda estuda se lança Paulo Serra ao Governo de São Paulo. Com Tarcísio buscando a reeleição, porém, a disputa é vista já perdida por antecedência.