A maioria dos brasileiros defende que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados como organizações terroristas pelo governo brasileiro. É o que mostra pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10/6).
Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados afirmam que o Brasil deve adotar essa classificação. Outros 29% são contrários à medida, enquanto 11% não souberam ou não responderam.
A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de junho, com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
Maioria já sabia da decisão dos EUA
O levantamento também mostrou que 63% dos entrevistados já sabiam que o governo dos Estados Unidos classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Outros 36% disseram não ter conhecimento da medida, e 1% não respondeu.
Quando questionados se o governo americano deveria considerar as facções terroristas, houve empate técnico: 45% responderam sim e 45% disseram não. Outros 10% não souberam opinar.
Opinião varia conforme posicionamento político
A defesa da classificação das facções como terroristas pelos Estados Unidos é maior entre eleitores de direita.
Entre os bolsonaristas, 64% apoiam a medida e 29% são contra. Já entre os que se identificam como direita não bolsonarista, o apoio chega a 72%.
No campo da esquerda, a maioria rejeita a classificação. Entre os lulistas, 60% são contrários e 29% favoráveis. Entre os entrevistados de esquerda não lulista, 73% rejeitam a medida e 22% a apoiam.
Flávio Bolsonaro e decisão de Trump
A pesquisa também perguntou se o senador Flávio Bolsonaro influenciou a decisão do presidente Donald Trump de classificar PCC e CV como organizações terroristas.
Para 47%, o parlamentar teve influência na decisão. Outros 37% afirmaram que ele não teve participação, enquanto 16% não souberam responder.
Entre os lulistas, 61% acreditam que Flávio Bolsonaro influenciou Trump. O percentual sobe para 70% entre os entrevistados de esquerda não lulista. Já entre os bolsonaristas, 55% afirmam que não houve influência e 36% dizem que houve.
Sanções financeiras preocupam brasileiros
Outro dado do levantamento mostra que a maioria da população desconhece os possíveis efeitos financeiros da classificação das facções como organizações terroristas.
Segundo a pesquisa, 60% disseram não saber que pessoas e empresas ligadas a esses grupos podem sofrer punições financeiras e restrições bancárias nos Estados Unidos. Apenas 38% afirmaram ter conhecimento das consequências.
Mesmo assim, 53% acreditam que essas sanções podem prejudicar bancos e empresas brasileiras que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos. Outros 34% não veem risco de impacto, enquanto 13% não souberam opinar.
