Tarcísio diz que PCC não controla mais presídios e reforça fim da Cracolândia em SP

Declaração foi feita durante evento de balanço das ações do governo estadual em 2025

Segundo Tarcísio, o fim das cenas abertas de uso de drogas no centro é resultado de políticas públicas

Segundo Tarcísio, o fim das cenas abertas de uso de drogas no centro é resultado de políticas públicas | Pablo Jacob/Governo de São Paulo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (18/12) que a Cracolândia e que as facções criminosas não controlam mais os presídios no Estado.

Segundo o governador, a ação foi desmobilizada na região central da Capital e atribuiu o resultado a uma estratégia integrada de segurança pública, saúde e acolhimento social.

A declaração foi feita durante evento de balanço das ações do governo estadual em 2025, no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da cidade.

“O que está acontecendo no centro de São Paulo é fruto de políticas integradas, com coragem e propósito, devolvendo o coração da cidade às pessoas”, afirmou.

O governador de São Paulo também havia gravado um vídeo na última quinta-feira (13/11) em que anunciou o fim da cracolândia no centro da Capital. A concentração de usuários de drogas na região persistia desde a década de 1990.

Fim do PCC

Na área da segurança, Tarcísio afirmou que o Estado retomou o controle do sistema prisional e que facções criminosas deixaram de exercer influência sobre os presídios paulistas.

“Hoje há controle do Estado. O Estado comanda os presídios”, disse. Sem citar diretamente o Primeiro Comando da Capital (PCC), ele ressaltou que o enfrentamento ao crime organizado foi decisivo para a desmobilização da Cracolândia.

O governo informou ainda que, nos últimos três anos, mais de 21 mil infratores foram detidos na região central e cerca de 13 toneladas de drogas foram retiradas de circulação.

Entre maio e outubro de 2025, os registros de roubo na área onde funcionava a principal cena aberta de uso de crack caíram 65% em comparação com o mesmo período de 2022.

Tarcísio reconheceu que a política adotada em São Paulo tem características próprias, diferentes de experiências internacionais.

“Em outras cidades lidava-se com heroína ou cocaína. Aqui, o desafio era o crack e a atuação do crime organizado. É uma realidade específica”, afirmou.

Fim da cracolândia

Apesar do anúncio do fim da Cracolândia, a desmobilização é alvo de debates e críticas, já que ainda há circulação de usuários em pontos próximos da região central. Em julho deste ano, a cidade de São Paulo registrava ao menos 72 cracolândias em 47 bairros.

Um casarão na região da Liberdade, por exemplo, se tornou um novo ponto de uso e venda de drogas na capital paulista.

O governador destacou que a estratégia envolveu ações de inteligência policial, combate ao crime organizado e ampliação do atendimento a dependentes químicos.

De acordo com o governo estadual, desde o início da operação, cerca de 43 mil pessoas passaram pela rede de atendimento formada pelo Hub de Cuidados, Casas Terapêuticas e Espaços Prevenir. Também houve ampliação para 695 leitos específicos de internação.

Tarcísio, no entanto, sustenta que a mudança representa um marco histórico diante de um problema que se arrastava há décadas e que resistiu a sucessivas gestões estaduais.