Violência política contra mulheres: São Paulo tem 430 denúncias em 2026, enquanto Brasil registra 1.564 casos até agosto

Dados do Ligue 180 mostram que Estado concentra 27,5% das denúncias registradas no país entre janeiro e agosto; total nacional caiu em relação ao mesmo período de 2025

São Paulo aparece no topo das denúncias de violência política contra mulheres /Nino Caré/Pexels

São Paulo aparece no topo das denúncias de violência política contra mulheres /Nino Caré/Pexels

São Paulo lidera o número de denúncias de violência política contra mulheres registradas pelo Ligue 180 em 2026. Entre janeiro e agosto, foram contabilizados 430 registros no estado, o equivalente a 27,5% das 1.564 denúncias feitas em todo o País no período.

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O levantamento também aponta 1.581 violações de violência política contra mulheres nos primeiros oito meses do ano. A quantidade de violações é ligeiramente superior à de denúncias porque uma mesma ocorrência pode reunir mais de uma violação praticada pelo mesmo agressor.

Na sequência do ranking aparecem Rio de Janeiro, com 260 denúncias, Minas Gerais, com 149, Bahia, com 89, Rio Grande do Sul, com 62, Paraná, com 61, e Santa Catarina, com 56.

Os dados fazem parte do levantamento relacionado ao Plano de Ação do Protocolo de Enfrentamento à Violência Política Contra as Mulheres, que estabelece diretrizes para o atendimento desses casos pelo Ligue 180.

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Número de denúncias cai em relação a 2025

Considerando apenas o período de janeiro a agosto, o Brasil registrou 1.564 denúncias em 2026, contra 1.649 no mesmo intervalo de 2025. Isso representa uma redução de aproximadamente 5,2% na quantidade de registros.

Em todo o ano de 2025, foram contabilizadas 2.310 denúncias contendo 2.334 violações de violência política contra mulheres. São números que não podem ser comparados diretamente com o acumulado de oito meses de 2026, já que o ano ainda não terminou.

A distribuição mensal também mudou entre os dois períodos. Em 2025, os registros cresceram a partir de março e atingiram o pico em abril, com 377 denúncias. Em maio foram 337 e, em junho, 344.

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Já em 2026, o maior número de denúncias ocorreu em janeiro, com 263 registros. Fevereiro teve 215, março registrou 174, abril teve 249, maio somou 204, junho, 172, julho, 165, e agosto, 122.

Mulheres negras são maioria entre as denúncias

O levantamento de 2026 também apresenta um recorte de raça/cor. Das 1.564 denúncias registradas entre janeiro e agosto, 842 envolvem mulheres negras, entre pretas e pardas, o que corresponde a 53,84% do total.

As mulheres brancas aparecem em 590 denúncias, ou 37,72%. Outros grupos de raça/cor representam 132 registros, equivalentes a 8,44%.

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Entre as situações classificadas como violência política estão discriminação e desigualdade de tratamento por gênero, raça ou etnia em funções, cargos públicos, mandatos e partidos. Também são registrados casos de interrupção frequente da fala em ambientes políticos, desqualificação de habilidades e funções e questionamentos sobre a vida privada das mulheres.

O levantamento inclui ainda ameaças a candidatas, difamação, divulgação de conteúdo inverídico, críticas relacionadas à aparência física e à forma de vestir. Há também registros de ameaças de morte e estupro, ataques racistas e transfóbicos, vandalização de materiais de campanha, coação, misoginia, constrangimento, intimidação e deslegitimação de mulheres em espaços de poder e decisão.

Quem pode recorrer ao protocolo

O protocolo de enfrentamento não é destinado apenas a mulheres que disputam eleições. Podem recorrer às medidas previstas candidatas a cargos eletivos, mulheres com mandato, ocupantes de cargos públicos, lideranças comunitárias e sociais, defensoras de direitos humanos, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

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Também estão incluídas ativistas e outras mulheres que exerçam atuação política ou pública, mesmo que não sejam candidatas ou tenham sido eleitas.

A proposta é oferecer atendimento com escuta qualificada, proteção integral e respeito à centralidade da vítima e à não revitimização. O protocolo também prevê sigilo, orientação sobre direitos e encaminhamento aos órgãos competentes.

Segundo as diretrizes do plano, a atuação deve envolver instituições do sistema de Justiça e da rede de proteção às mulheres, com medidas destinadas a interromper a violência, proteger as vítimas e contribuir para a responsabilização dos autores.