1 em cada 4 jovens terá este problema até 2030

Embora a saúde infantil tenha avançado, a dos adolescentes piora

Estudo prevê que em 2030 haverá 464 milhões de jovens com sobrepeso ou obesidade

Estudo prevê que em 2030 haverá 464 milhões de jovens com sobrepeso ou obesidade | Depositphotos

Um em cada quatro jovens entre 10 e 24 anos pode sofrer com obesidade ou problemas de saúde mental até 2030, caso não sejam adotadas ações preventivas. Os dados são de um novo relatório publicado pela revista científica “The Lancet”, especializada em saúde de adolescentes.

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Segundo Benito Lourenço, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), embora a saúde infantil tenha avançado, a dos adolescentes piora. O estudo prevê que em 2030 haverá 464 milhões de jovens com sobrepeso ou obesidade, 143 milhões a mais que em 2015. 

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Além disso, quase um terço desses jovens poderá ter anemia, que afeta o desenvolvimento físico e cognitivo. Problemas de saúde mental devem atingir 42 milhões de adolescentes, cerca de dois milhões a mais que em 2015.

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Apesar desse cenário, houve redução global no consumo de álcool e cigarro entre adolescentes, resultado de políticas de conscientização. Também aumentou a participação escolar, especialmente entre meninas.

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Os dados foram obtidos a partir de diversas pesquisas científicas e projetam as tendências até 2030. 

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Situação mais grave

A situação é mais grave em países menos desenvolvidos, onde vivem 1,1 bilhão de adolescentes. Eles enfrentam ameaças diárias como Aids, gravidez precoce, depressão, má nutrição e lesões.

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Embora representem mais de 25% da população desses países e 9,1% da carga de doenças, recebem apenas 2,4% dos recursos de saúde.

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Impacto no Brasil

A professora Ana Maria Lopes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que o Brasil segue a mesma tendência, com destaque para a desigualdade no acesso à saúde. Estudo feito em Campinas mostrou que adolescentes negros e de baixa renda têm menos acesso a exames e consultas.

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A comissão também aponta desafios emergentes, como mudanças climáticas e o impacto da transição digital. Eventos climáticos extremos aumentam o risco de insegurança alimentar e problemas mentais como estresse, ansiedade e depressão.

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Com relação às redes sociais, os dados ainda são inconclusivos quanto ao impacto direto na saúde mental.

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Ações preventivas

Para os especialistas, ações preventivas precisam ser ampliadas com foco em conscientização e acesso universal à saúde e bem-estar, principalmente nas escolas.

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Políticas simples, como proibir a venda de alimentos ultraprocessados em cantinas, mostram resultados: adolescentes de escolas com restrição têm 11% menos probabilidade de desenvolver obesidade.

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Lourenço também destaca que os serviços de saúde precisam se adaptar para acolher os adolescentes de forma mais acessível e respeitosa à sua autonomia.

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O texto contém informações da Folha de S. Paulo