Muita gente repete que “exercício faz bem”, mas trata a frase como sugestão opcional. O resultado aparece no corpo, na energia e até no sono, mesmo em quem ainda é jovem.
Felipe Isidro, professor de educação física, defende que atividade física é parte do cuidado básico com a saúde. Para ele, é um hábito diário que não depende de vontade.
Por isso, ele critica a ideia de que “se mexer um pouco” resolve. Também afirma que caminhar, por si só, não gera a mudança que o corpo precisa.
Sedentarismo virou regra, e o corpo sente
Um dado que ajuda a entender o tamanho do problema apareceu na Pesquisa de Saúde da Espanha 2023. O levantamento aponta que 47,2% dos homens e 54,6% das mulheres não fazem exercício físico no tempo livre.
Na prática, muita gente até faz algo de vez em quando. Só que não dá ao exercício o peso que ele tem na manutenção da saúde ao longo dos anos.
Idade cronológica não conta a história toda
Isidro separa idade cronológica e idade biológica. A primeira é a idade do calendário, registrada em documentos e celebrada em aniversários.
Já a idade biológica, segundo ele, envolve aspectos ligados à condição física de cada pessoa. Isso muda a leitura sobre saúde e disposição no dia a dia.
Ele relata conhecer pessoas “de 90 anos com idade biológica de 70” e encontrar homens de 70 em melhor condição física do que jovens de 20.
Esse tema costuma ganhar atenção quando o assunto é envelhecer com autonomia. Um exemplo é a explicação sobre diferença entre idade biológica e cronológica, que mostra como hábitos pesam mais do que o número do RG.
Exercitar-se é como escovar os dentes
Para Isidro, o problema começa quando a sociedade trata esporte como recreação, e não como necessidade. Na visão dele, isso cria adultos jovens “envelhecidos”.
“Precisamos educar a população para que ela perceba sua situação atual, porque as pessoas realmente pensam que exercício é apenas para recreação, para lazer, e isso é um grande problema. Exercitar-se é absolutamente essencial para a saúde. É como escovar os dentes; você não pensa nisso, quer goste ou não, você tem que escová-los, é uma obrigação”, diz Felipe Isidro.
Conforto e tecnologia viraram inimigos da rotina ativa
Muitas pessoas olham para avós saudáveis e concluem que exercício não é tão necessário. Só que ignoram o contexto: antes, a vida exigia mais movimento.
Isidro afirma que tecnologia e comodidades modernas favorecem o sedentarismo. Ele também diz que o exercício físico “só ter surgido no século XX”, porque antes o corpo já era exigido na rotina.
Assim, o conforto empurra o dia a dia para menos esforço. A conta aparece mais cedo do que se imagina, inclusive em quadros de fragilidade.
Quando caminhar não é suficiente
Ao final, Isidro reforça que caminhar não basta para produzir mudança no corpo humano, principalmente quando a pessoa permanece sedentária no resto do dia.
“Caminhar é apenas vagar sem rumo; prescrevê-lo é como dizer a um paciente para respirar”, conclui Felipe Isidro.
Isso não significa abandonar a caminhada. Em muitos casos, a diferença está em combinar com força e constância, como mostra a lista de exercícios que ajudam a envelhecer mais devagar.
Hábito não depende de vontade
Na visão do professor, o ponto é simples: “Você não precisa fazer o que tem vontade, precisa fazer o que é bom para você”. Com o tempo, o hábito se forma.
Então, a pessoa percebe que “se sente melhor, dorme melhor, obviamente mantém seu estado biológico melhor e, portanto, sabe que é necessário”, afirma Felipe Isidro.
