Alerta de SRAG: Influenza sobrecarrega o coração e transforma gripe em emergência médica

Infectologista explica como o vírus pode atingir o sistema cardiovascular e agravar quadros inicialmente leves

Segundo infectologista, influenza pode causar complicações no músculo cardíaco, o miocárdio

Segundo infectologista, influenza pode causar complicações no músculo cardíaco, o miocárdio | tirachardz/Freepik

São Paulo vive um momento de alerta quanto aos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Até o momento, o Estado já registrou 5.801 ocorrências dessas complicações e 401 mortes.

Continua após a publicidade

O problema, no entanto, não está apenas no diagnóstico da influenza — uma das principais causas da SRAG —, mas também na forma como seus sintomas e possíveis desdobramentos são reconhecidos.

De acordo com o infectologista Igor Marinho, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a doença pode ir além do sistema respiratório e atingir o coração.

 “Muitas pessoas pensam que a influenza é uma doença estritamente respiratória, mas o vírus pode comprometer não só a função pulmonar, como também provocar complicações cardiovasculares”, explica.

Predisposição ao quadro

Esse tipo de complicação pode se manifestar de diferentes formas e atingir até pacientes sem histórico prévio de doenças cardíacas.

Continua após a publicidade

“Miocardite, arritmias e descompensação de insuficiência cardíaca podem estar associadas ao quadro de influenza”, afirma. 

Segundo ele, esses eventos são mais frequentes em quem já possui alguma condição cardíaca, mas não se restringem a esse grupo.

O infectologista destaca ainda que o vírus não se limita às vias respiratórias. Após a infecção, ele pode circular pelo organismo e atingir outros órgãos. 

“O vírus da influenza não fica somente nas vias respiratórias. Ele pode circular pelo corpo e tem uma afinidade importante pelo músculo cardíaco, o miocárdio”, diz.

Nesse contexto, a inflamação do coração — conhecida como miocardite — pode alterar tanto a função quanto o ritmo cardíaco. 

Continua após a publicidade

“Esses pacientes podem apresentar alteração da função cardíaca e também do ritmo do coração”, completa.

Diagnóstico e cuidados durante a infecção

A identificação destas complicações depende de avaliação clínica e exames específicos. Segundo Marinho, sinais apresentados pelo próprio paciente podem indicar a necessidade de investigação mais aprofundada.

“Exames como ressonância magnética do coração, eletrocardiograma e ecocardiograma ajudam a confirmar se houve comprometimento cardíaco”, explica.

Ele ainda reforça que, diante de sintomas persistentes ou mais intensos, a avaliação especializada é essencial. 

“Pacientes com esses sinais precisam de uma avaliação cardiológica para entender se houve de fato algum impacto no coração”, afirma.

Durante o período de infecção, o cuidado com o corpo também influencia diretamente na recuperação. 

Continua após a publicidade

“Evitar esforços e manter o repouso é fundamental, porque o organismo já está sob alta demanda metabólica para combater o vírus”, destaca.

O médico ainda alerta para a importância da hidratação e do descanso. “Não respeitar esse período pode sobrecarregar diversos sistemas do corpo, inclusive o cardiovascular. Por isso, repouso e hidratação são indispensáveis durante a fase aguda”, conclui.

Cenário no Brasil

O avanço dos casos não se restringe ao estado de São Paulo e já é observado em todo o país. Dados do boletim InfoGripe indicam tendência de alta tanto no curto quanto no longo prazo para SRAG. Em 2026, já foram notificados 24.281 casos no Brasil.

Desse total, 9.443 tiveram confirmação para vírus respiratórios, enquanto 9.951 foram descartados e 3.085 ainda aguardam resultado laboratorial. 

Continua após a publicidade

O cenário reforça a necessidade de atenção não apenas aos sintomas mais comuns da gripe, mas também aos possíveis efeitos sistêmicos da infecção, que podem passar despercebidos.