Anabolizantes causam impotência sexual? Conheça fatos e mitos sobre o uso de esteróides

Entenda por que a resposta não é "sim ou não" e o que pode acontecer com libido e testosterona durante e depois do ciclo.

O uso de anabolizantes pode acarretar em diversas circunstâncias anômalas

O uso de anabolizantes pode acarretar em diversas circunstâncias anômalas | Pixabay

Você provavelmente já ouviu que anabolizantes, popularmente chamados de “bombas“, causam impotência sexual em homens. Essa ideia é comum, mas o efeito não é simples, nem igual para todo mundo.

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Para saber o que é mito e o que é verdade sobre o uso de esteroides anabolizantes (AAS), acompanhe o compilado feito pela Gazeta de S.Paulo. 

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Anabolizante realmente torna os homens impotentes?

Depende. Durante ciclos, alguns homens relatam aumento de libido e confiança. Isso costuma ocorrer com substâncias derivadas de testosterona, como o durateston.

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O problema costuma aparecer quando o corpo reduz a produção própria de testosterona. Em doses altas e por muito tempo, pode haver atrofia dos testículos, que são parte do sistema que regula os hormônios sexuais.

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Com a produção hormonal em baixa, o quadro pode evoluir para hipogonadismo. Se a aplicação externa para, o corpo pode ficar sem hormônio suficiente, com sinais como queda da libido, desânimo e disfunção erétil.

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Nesses casos, a automedicação costuma piorar o cenário. O mais seguro é avaliação médica, já que o perigo da automedicação para disfunção erétil inclui atrasar o diagnóstico e aumentar riscos.

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Pessoas que tomam bomba são mais agressivas?

Fato. Estudos, como aquele realizado por Lisa E. Hauger para o ISAJE, apontam que pacientes com uso contínuo de AAS apresentam leves aumentos em traços antissociais, agressividade e impulsividade.

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Porém, usuários de determinadas substâncias, como a trembolona, podem apresentar a apelidada de “tremborage” pela comunidade. A “fúria da trembo” é um aumento na agressividade e impulsividade derivada dos danos neurológicos causados pela trembolona, considerada um dos anabolizantes mais problemáticos conhecidos.

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É possível se viciar em anabolizantes?

Fato.  De acordo com a base de dados do PubMed, cerca de 30% dos usuários de EAA parecem desenvolver algum grau de dependência das substâncias, apesar de essa dependência não ser majoritariamente química quanto as demais drogas.

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Estudo publicado pela Sociedade para o Estudo do Vício avaliou que a dependência tende a ser psicossocial pela diminuição das capacidades e desempenho que antes eram possíveis devido ao uso das substâncias.

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O uso de anabolizantes pode ser fatal?

Fato. A bibliografia médica aponta risco real de eventos graves com uso abusivo, sobretudo cardiovasculares. Um dos temores é a sobrecarga do coração, com alterações estruturais e maior chance de arritmias.

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Rins e fígado também podem sofrer, já que são órgãos ligados ao metabolismo e à filtração O risco tende a crescer com uso prolongado, substâncias clandestinas e combinação com outras drogas.

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No sistema de classificação de doenças, o CID-10 tem o código T38.7 para intoxicação por andrógenos e anabolizantes congêneres, que ajuda a agrupar notificações relacionadas.

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Mulheres têm mais risco de colaterais do que os homens?

Mito. Homens e mulheres podem ter efeitos adversos, mas a forma como eles aparecem costuma chamar mais atenção nelas.

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Como muitos ciclos usam derivados de testosterona, pode ocorrer virilização: aumento de pelos, voz mais grossa, mudanças no contorno do rosto, redução de mamas e outras alterações corporais marcantes.

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Anabolizantes são legalizados?

Mito. O uso de substâncias consideradas anabolizantes para fins estéticos é ilegal no Brasil. Em abril de 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) no Brasil proibiu que médicos prescrevam esteroides anabolizantes para fins estéticos, de ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo.

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A venda clandestina ou para fins estéticos é considerada crime e pode ser enquadrada como tráfico de drogas. Usuários que possuam essas substâncias para uso pessoal podem ser alvos de apreensão.

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Esteroides são inúteis?

Mito. Apesar de serem famosos pelo uso estético, a maioria dessas substâncias têm uso médico em situações específicas, com acompanhamento. Como, por exemplo:

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  • Derivados de testosterona: tratamento de hipogonadismo e reposição hormonal.
  • Oxandrolona: ganho muscular acelerado após casos severos de atrofia, como aqueles causados por cirurgias, transtornos alimentares e comas.
  • GH (somatropina): Uso para deficiência de hormônio do crescimento, como:  crianças com déficit de GH, síndrome de Turner, baixa estatura em nascidos pequenos para a idade gestacional, síndrome de Prader-Willi e baixa estatura idiopática; em adultos, para reposição em deficiência acentuada de GH.
  • Hemogenin (oximetolona): Tratamento para anemias por deficiência de produção de hemácias.
  • Deca (Deca-Durabolin; decanoato de nandrolona): Uso para anemia da insuficiência renal.
  • Estanozolol: Tratamento de profilaxia de crises de angioedema hereditário.
  • Drogas como a trembolona e a boldenona são de uso oficial exclusivamente veterinário, geralmente para crescimento do gado de corte ou tratamento de animais lesionados ou doentes.

Suplementos e anabolizantes são a mesma coisa?

Mito. Suplementos são produtos regulamentados, voltados a complementar a dieta. Eles não têm o mesmo efeito hormonal de esteroides e não “desligam” a produção de testosterona do corpo ou possibilitam capacidades sobrehumanas.

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Whey, creatina e multivitamínicos podem ajudar a atingir metas de proteína e performance, mas dependem de treino, dieta e rotina. Até sem exercício existe discussão sobre efeitos, como mostra que whey e creatina sem malhar aumentam a barriga só quando entram em excesso calórico.

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Atletas profissionais são proibidos de utilizar esteroides?

Depende. Na maioria dos esportes, anabolizante é doping e pode gerar punição. Já no fisiculturismo, o uso é comum na maioria das categorias, com exceção de federações naturais, que proíbem esteroides.

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Uso de anabolizantes pode ser transtorno mental?

Mito. A maioria dos usuários que adere ao uso de esteroides o faz por fins estéticos ou atléticos, sem interferência de transtornos mentais.. Ainda assim, há exceções, como dependência e vigorexia, que distorcem a autoimagem.

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Nesses quadros, a pessoa se vê menor do que é e tende a buscar medidas extremas. O resultado pode ser uma rotina de risco, com pouca percepção de limite e muita pressão social por desempenhos sobrehumanos.