Brasileiro pode gastar mais de R$ 7 mil em 6 meses com medicação para emagrecimento

Tratamento com canetas à base de semaglutida tem alto custo e não possui prazo definido para duração, segundo especialista

Quebra de patente do Ozempic pode baratear emagrecer no Brasil em 2026

Quebra de patente do Ozempic pode baratear emagrecer no Brasil em 2026 | Reprodução/Freepik

Um ciclo de uso de canetas emagrecedoras no Brasil pode sair caro para o bolso do cidadão brasileiro. Em média, o medicamento custa de R$ 990,00 a R$ 1.180,00 no país. Esse valor corresponde a uma dose de 1 mg, com duração aproximada de um mês.

De acordo com Guilherme Gatti, endocrinologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o uso de remédios como o Ozempic não tem prazo definido para término.

Considerando um período médio de seis meses de tratamento, um brasileiro pode gastar até R$ 7.080,00.

Quebra de patente

O fim da patente da semaglutida no Brasil pode reduzir o custo de medicamentos como o Ozempic. A exclusividade da farmacêutica responsável pelo composto terminou em 20 de março.

Com isso, novas opções devem chegar ao mercado, ampliando a oferta de canetas emagrecedoras no país.

Segundo a Anvisa, ao menos 14 pedidos de registro de produtos com o mesmo princípio ativo já foram protocolados.

Empresas como EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm estão entre os laboratórios que preparam versões para disputar esse mercado.

A expectativa é de aumento da concorrência em um setor que movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano no Brasil.

Perigos e acompanhamento médico

Apesar da popularização, o uso dessas medicações exige acompanhamento médico, principalmente no início do tratamento.

Segundo Guilherme Gatti, o uso em doses mais altas pode provocar efeitos colaterais importantes.

“Existem alguns perigos, principalmente efeitos colaterais graves, quando se inicia com doses mais altas”, afirma o endocrinologista.

O médico também alerta para a perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia, que pode ocorrer em função da baixa ingestão de proteínas e da falta de atividade física.

“Há também relatos de desidratação, associada a vômitos e à baixa ingestão de líquidos devido à náusea”, acrescenta.

Outro ponto de atenção envolve o uso de substâncias sem aprovação regulatória, prática que tem sido adotada por parte dos pacientes.

“Outro risco importante é o uso de medicações não aprovadas pela Anvisa, como a tirzepatida manipulada ou trazida de outros países, sem regulamentação”, explica.

Segundo ele, a tentativa de reduzir custos pode levar a complicações graves de saúde.

“Muitos pacientes utilizam esse recurso, mas isso pode causar sérios agravos à saúde”, conclui.