Cães farejadores detectam Parkinson antes de sintomas aparecerem

Estudo britânico revela que cachorros podem identificar a doença pelo cheiro da pele, abrindo caminho para diagnósticos precoces

Cães conseguira, identificar até 98% dos casos estudados

Cães conseguira, identificar até 98% dos casos estudados | Imagem gerada por IA

Num laboratório da Universidade de Manchester, dois cães escreveram um novo capítulo da medicina. Bumper, um golden retriever, e Peanut, um labrador, identificaram a doença de Parkinson em amostras de pele com precisão surpreendente – antes mesmo dos primeiros sintomas motores.

O estudo, publicado no Journal of Parkinson’s Disease, foi conduzido em parceria entre a ONG Medical Detection Dogs, a Universidade de Bristol e a Universidade de Manchester. 

“Os cães alcançaram entre 70% e 98% de acerto”, revelou Nicola Rooney, PhD em bem-estar animal e autora principal do estudo, em entrevista ao portal especializado Parkinson’s News Today.

Detalhes do treinamento dos cães farejadores

Bumper passou por 38 semanas de treinamento intensivo (quase 9 meses), enquanto Peanut teve 53 semanas (mais de um ano) de preparação. Eles analisaram 205 amostras iniciais e depois 100 novas – 40 de pacientes não tratados (idade média de 71 anos) e 60 de pessoas saudáveis.

O método? Recompensas. Quando acertavam, ganhavam petiscos e carinhos. “Usamos um sistema de reforço positivo que mantém os cães motivados”, explicou Claire Guest, CEO e diretora científica da Medical Detection Dogs, organização que já treinou cães para detectar câncer e malária.

A descoberta da “assinatura olfativa” do Parkinson

Os pesquisadores descobriram que o sebo (óleo natural da pele) sofre alterações químicas anos antes dos sintomas motores. Bumper detectou 80% dos casos (sensibilidade) e descartou 98% dos saudáveis (especificidade). Peanut teve 70% e 90%, respectivamente.

“Existe uma assinatura olfativa distinta em pacientes com Parkinson“, confirmou Rooney. A descoberta corrobora estudos anteriores sobre compostos voláteis no sebo.

Quem inspirou a pesuqisa foi Joy Milne, enfermeira aposentada escocesa com hiperosmia (olfato aguçado). Em 1982, ela notou um cheiro estranho no marido, Les, 12 anos antes do diagnóstico dele.

“O cheiro mudou gradualmente – ficou mais amadeirado e rançoso”, contou Joy em documentário da BBC. Seu relato, em 2015, levou à primeira pesquisa sobre o tema. “É emocionante ver a ciência confirmando o que meu nariz detectou”, disse ela.

Próximos passos: do faro canino aos testes clínicos

A equipe agora trabalha em duas frentes:

  1. Refinar o treinamento de mais cães para aumentar a escala.
  2. Desenvolver “narizes eletrônicos” que reproduzam a detecção pelo cheiro.

“Já identificamos 10 compostos químicos suspeitos no sebo”, adiantou Barran, que lidera o desenvolvimento de testes diagnósticos rápidos. 

Enquanto isso, Bumper e Peanut continuam seu trabalho – provando que, às vezes, as melhores tecnologias médicas têm quatro patas e muito amor para dar.