O risco silencioso e fatal do tatame que ronda academias de artes marciais

Falhas de higiene em academias de luta podem abrir espaço para infecções que começam pequenas e podem se tornar emergências médicas

Tatame sujo, feridas abertas e regras de higiena frouxas podem gerar infecções graves

Tatame sujo, feridas abertas e regras de higiena frouxas podem gerar infecções graves | Freepik

Na hora de escolher uma academia para praticar jiu-jítsu e outras artes marciais, são muitos os fatores a se considerar, como valores ou a graduação dos instrutores, mas um detalhe importante passa despercebido: o tatame. Um ambiente de luta adequadamente limpo é essencial, pois um tatame sujo pode conter todo tipo de patógeno capaz de infectar os praticantes durante a luta.

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O risco cresce quando a academia falha na limpeza, tolera aluno com lesão aparente ou relaxa em hábitos básicos, como banho, lavagem do kimono, higienização das mãos e cuidado com toalhas, protetores e bolsas. Para quem está escolhendo onde treinar, vale olhar o tatame com a mesma atenção dada ao professor, ao preço da mensalidade e à localização da academia.

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Doenças escondidas no tatame

Segundo o CDC, as infecções mais comuns entre lutadores incluem tinea corporal, conhecida como micose, herpes gladiatorum, impetigo e infecções bacterianas por Staphylococcus ou Streptococcus, incluindo o MRSA, a forma resistente de estafilococo. Muitas das quais podem ser adquiridas no contato de feridas com o tatame sujo.

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A infecção pode começar como uma mancha redonda que coça, uma crosta amarelada, bolhas dolorosas ou um caroço vermelho, quente, inchado, às vezes com pus. Em geral, a porta de entrada é simples: corte, raspagem, pele macerada, unha arranhando ou roupa úmida demais, todos acidentes que podem facilmente ocorrer durante uma luta.

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Portanto, vale a pena ficar de olho em alguns sinais:

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  • Micose, com descamação, coceira e placas arredondadas.
  • Herpes gladiatorum, com bolhas agrupadas, ardor, dor, febre em alguns casos.
  • Impetigo, com feridas e crostas amareladas, muito contagioso.
  • Foliculite, abscessos, celulite ou outras infecções por staph, inclusive MRSA.

Essas doenças não dependem só do tatame; algumas também podem ser transmitidas pela troca de fluidos entre os participantes, contato ostentivo com a pele do oponente ou o compartilhamento de itens pessoais, como toelhas e garrafas.

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E a E. coli?

Acredite se quiser, mas até a E. coli, típico marcador fecal, pode ser adquirida no ambiente de treino. Quando um praticante não segue protocolos básicos de higiene, como utilizar roupas de baixo limpas e realizar a higienização correta do ânus, pode haver dispersão de dejetos contaminados pelo tatame.

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Nos estudos com tatames, porém, ela aparece bem menos do que os micróbios típicos da pele. Um trabalho publicado no Journal of Athletic Training encontrou baixa incidência de E. coli nas superfícies de luta, enquanto bactérias como estafilococos eram muito mais frequentes.

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Quando a infecção sai do controle

Em 2014, um torneio escolar no Arizona terminou com 47 casos de lesões de pele, sendo 17 de impetigo, 11 de HSV-1, dois de tinea corporal e dois de MRSA, segundo o CDC. A investigação apontou que atletas competiram com lesões descobertas, o que ajudou a espalhar o problema.

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A CBS relatou que o estudante Nick Mauriello desenvolveu MRSA com síndrome de Lemierre, e a infecção atingiu pulmões e outros órgãos. Em outro episódio, também em Nova York, Anthony Lucia ficou internado por seis dias e passou por cirurgia de emergência após MRSA.

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Em 2025, o ex-lutador Ben Askren passou por transplante duplo de pulmão depois de uma pneumonia ligada à infecção por staph, segundo a Associated Press, em linha com análise publicada pela Northeastern University. Nem todo caso permite provar que o tatame foi a única fonte, mas eles mostram como uma infecção que começa pequena pode ganhar escala rapidamente no ambiente esportivo.

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Como ler a higiene de uma academia

Antes de fechar matrícula, vale observar se a academia segue alguns protocolos simples, como:

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Fique sempre atento à cor do tatame, cores escuras e materiais como o EVA podem ser escolhidos para ocultar a sujeira e falta de higienização frequente (Foto: Freepik)Fique sempre atento à cor do tatame, cores escuras e materiais como o EVA podem ser escolhidos para ocultar a sujeira e falta de higienização frequente (Foto: Freepik)

Existe selo de qualidade?

Nas fontes oficiais consultadas, não aparece um selo nacional único, específico para higiene de academias de artes marciais. O que existe, de forma concreta, são regras sanitárias locais, licenciamento, fiscalização e exigências técnicas para funcionamento.

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Em São Paulo, por exemplo, há regulamento técnico para atividades de luta. O roteiro de inspeção cobra pisos higienizáveis nas áreas de lutas, equipamentos em boas condições, colchonetes higienizados após cada uso e produto correto à disposição dos usuários. Isso vale mais do que qualquer adesivo bonito na recepção.

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Cuidados básicos

Para o aluno, prevenção começa antes do primeiro golpe:

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  • Não treine com ferida aberta, bolha, crosta, coceira sem diagnóstico ou febre
  • Lave as mãos,
  • Tome banho depois da aula,
  • Não compartilhe toalha, garrafa, lâmina, protetor, joelheira ou roupa.
  • Kimono, rash guard, shorts, caneleira, faixa, bolsa e protetores precisam de limpeza frequente. A NATA recomenda lavar roupa usada todos os dias e desinfetar equipamentos regularmente. 

Procure assistência médica em caso de surgimento de sintomas de infecção dentro do período de 48 horas após a prática de exercícios físicos em ambiente compartilhado.