O açúcar é um alimento conhecido por ser um dos principais combustíveis de energia do corpo humano. Mas suas funções não se limitam a questões energéticas: a presença de glicose no corpo é essencial para a formação de células cerebrais.
Essa funcionalidade do carboidrato foi descoberta em um estudo recente divulgado pela revista Nature Neuroscience. De acordo com a pesquisa, o açúcar age principalmente nas primeiras fases da vida, assumindo a posição de agente formador de corpos celulares imprescindíveis para o desenvolvimento.
Descobertas como essa não são apenas importantes por facilitar a compreensão do funcionamento do corpo humano, mas também por possibilitar intervenções que possam ser benéficas à nossa saúde neurológica.
O açúcar como regulador do cérebro
Os cientistas observaram, a partir de experiências com camundongos, que, em áreas com elevados índices glicêmicos, há uma tendência de maior intensidade da divisão de células progenitoras, que, quando maduras, são responsáveis por gerar os oligodendrócitos que, por sua vez, produzem a mielina.
Essas estruturas atuam no isolamento elétrico dos neurônios, o que aumenta a velocidade da condução dos impulsos nervosos ao longo de todo o sistema e atua no pleno desenvolvimento da neuroplasticidade.
A glicose influencia esse processo ao regular o comportamento das células progenitoras: quanto mais açúcar, maior será a taxa de multiplicação dessas unidades; quanto menos, elas amadurecerão com mais frequência.
A chave para esse mecanismo funcionar é uma enzima chamada ACLY. Ela é capaz de converter o açúcar em ativadores de genes relacionados à divisão celular. Sem ela, as células podem parar de se multiplicar e interromper o processo de mielinização, o que pode acarretar condições como a esclerose múltipla.
A relação entre açúcar e saúde neurológica reforça a importância de estudar o metabolismo para além da energia (Foto: Pexels)Os riscos do excesso de açúcar
Da mesma forma que a glicose atua de forma benéfica no organismo, o excesso do seu consumo, conhecido como hiperglicemia, pode ser extremamente prejudicial ao sistema nervoso.
Quando os níveis de açúcar permanecem constantemente altos, como no diabetes, as células podem ficar “presas” na fase de divisão, falhando em amadurecer e produzir a mielina, processo conhecido como estresse oxidativo.
Níveis excessivos de glicose também podem sobrecarregar o funcionamento da ACLY: o excesso de “combustível” faz com que a célula perca o controle sobre quais genes devem ser ligados ou desligados, levando a uma produção de mielina insuficiente ou de má qualidade durante o desenvolvimento ou em processos de reparação.
Presas em um ciclo infinito de divisão ou sufocadas pelo estresse oxidativo e pela inflamação, essas células podem sofrer uma morte programada, conhecida como apoptose, antes de cumprirem sua função protetora, desfalcando o sistema nervoso como um todo.






