Imagine essa história: Jorge é uma pessoa muito ativa, de bons hábitos e com uma vida saudável. Aos 22 anos, frequenta a academia todos os dias. No entanto, sempre que chega ao local, sente aquela velha conhecida: a preguiça.
Ele se pergunta: “Por que sinto tanta preguiça? Será que é falta de alguma vitamina ou algo parecido?” A verdade é que essa sensação é comum — e tem explicações que vêm de muito tempo atrás.
A Gazeta se baseou em um vídeo do médico Drauzio Varella, no qual o dr. explica como a preguiça, apesar de ser um obstáculo, tem raízes profundas no nosso comportamento e evolução.
Exercício contra a natureza
Mesmo sabendo dos inúmeros benefícios e da sensação de bem-estar que o exercício físico proporciona, Jorge se encontra com dificuldade para sair do sofá e calçar o tênis. Mas, segundo o médico Drauzio Varella, a culpa não é exatamente da pessoa — e sim da própria natureza humana.
Em um vídeo recente, o autor da coluna “Preguiça” defende que o esforço físico voluntário vai contra o que o corpo humano foi moldado para fazer: economizar energia.
“Porque a atividade física, o exercício, é contra a natureza humana”, resume o médico. A explicação está na nossa origem evolutiva.
Durante milênios, nossos ancestrais viveram em ambientes de extrema escassez de alimentos. Por isso, o corpo aprendeu a evitar qualquer esforço desnecessário.
Animais não correm por lazer
Para reforçar a ideia, Drauzio faz uma comparação com o comportamento animal: “Você vai ao zoológico, já viu uma girafa correndo para perder barriga ou uma onça dando um pique? Nenhum animal desperdiça energia.”
Assim como os animais, nossos antepassados só se movimentavam por necessidade: fugir de predadores, buscar comida ou reproduzir.
O cérebro, diz ele, foi moldado nesse contexto de privação. Resultado: hoje comemos mais do que precisamos e tendemos a evitar atividades que exijam esforço. “A preguiça”, explica o médico, “é só uma manifestação desse instinto de poupar energia”.
A vontade não virá — mas a disciplina, sim
Um dos pontos centrais da fala de Drauzio é a quebra do mito da “vontade espontânea” de se exercitar. Segundo ele, ela simplesmente não existe. “Se você está esperando que venha uma vontade de fazer exercício, ela não virá, posso garantir.”
E mais: quem diz o contrário, afirma ele, está sendo desonesto. “As pessoas que dizem ‘eu levanto já disposto’ são mentirosas. A gente levanta com preguiça, com vontade de tomar café, ler o jornal…”
A única saída: disciplina
A solução para Jorge é mais que certa. Segundo o médico, é preciso encarar a atividade física como uma disciplina quase militar.
“Você só conseguirá fazer exercícios se encarar isso com disciplina militar. Se você encara como algo fundamental na sua vida. Se não fizer assim, não vai dar certo.”
Logo, a mensagem que Drauzio deixa para o Jorge e para todos que querem começar uma vida fitness é: vencer a preguiça exige estratégia, compromisso e, acima de tudo, constância.
