Um vídeo viral no TikTok acendeu um alerta global sobre os perigos de procedimentos estéticos mal executados. O relato de uma influenciadora que perdeu parte do dedo após ir à manicure chocou a internet e trouxe à tona a gravidade da paroníquia.
A infecção, que começa de forma silenciosa com uma inflamação na pele ao redor da unha, pode evoluir rapidamente para quadros de necrose. No Brasil, casos semelhantes já exigiram múltiplas cirurgias para salvar o membro de pacientes.
Entenda agora o que causa essa complicação, quais são os sinais de que algo está errado e as recomendações da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) para evitar danos irreversíveis à sua saúde durante a rotina de beleza.
O caso que chocou as redes sociais
Recentemente, a influenciadora norte-americana Ashley Christmas compartilhou sua história dramática em um vídeo que ultrapassou 2 milhões de visualizações. O relato serve como um aviso importante para quem frequenta salões de beleza.
@juliana.roseli Alerta Importante: Unha Infeccionada Pode Levar à Amputação! Você sabia que uma simples infecção na unha, quando negligenciada, pode evoluir para um quadro grave e até levar à amputação do membro afetado? Bactérias e fungos se proliferam com facilidade e, em pessoas com imunidade comprometida (como diabéticos, idosos ou pessoas com má circulação), o risco de complicações é ainda maior. Não espere a dor aumentar ou a ferida piorar. Os primeiros sinais de alerta são: Vermelhidão intensa; Inchaço; Pus; Mau cheiro; Febre local ou geral. Ao notar qualquer um desses sintomas, procure atendimento especializado imediatamente. A prevenção e o tratamento correto com uma podóloga podem evitar consequências sérias. Cuide dos seus pés com carinho eles sustentam você todos os dias. #podologia #dica #saudedospés #pés #podologiacomamor #podologaemsinop #prevencao #sinop original sound – Podologa Juliana Roseli
Logo depois de ir a um estabelecimento nos Estados Unidos para fazer as unhas, ela começou a sentir dores incomuns. O que parecia um incômodo passageiro se transformou em um pesadelo médico em questão de dias.
A situação intensificou rapidamente, fugindo do controle dos tratamentos convencionais. Para conter o avanço da infecção e preservar o restante da mão, a única alternativa encontrada pelos médicos foi amputar parte do dedo afetado.
Perigo também acontece no Brasil
Engana-se quem pensa que esse tipo de incidente é raro ou exclusivo de outros países. No ano passado, um caso muito semelhante ganhou repercussão nacional e acendeu a luz vermelha para os protocolos de higiene locais.
Uma mulher de 66 anos, moradora de Goiânia (GO), desenvolveu uma infecção severa. O problema começou logo após ela realizar um procedimento de manicure rotineiro em um salão de beleza da cidade.
O quadro clínico da paciente evoluiu para necrose, que é a morte do tecido. Foram necessárias quatro cirurgias de emergência para evitar a perda total do membro, além de um tratamento prolongado e sessões de reabilitação.
O que é a paroníquia?
O problema tem nome técnico: paroníquia. Trata-se de uma inflamação da pele ao redor da unha, frequentemente causada pela entrada de bactérias ou fungos através de pequenas lesões na cutícula.
Existem fatores que aumentam consideravelmente as chances de contaminação. O uso frequente de unhas em gel, que podem abafar a região, e a utilização de materiais não esterilizados são os principais vetores de risco.
A pele atua como uma barreira protetora natural. Quando essa barreira é rompida por alicates ou espátulas, abre-se um caminho livre para microrganismos nocivos que podem colonizar a região e atingir tecidos profundos.
Sinais de alerta no corpo
Identificar o problema no início é crucial para um desfecho positivo. O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, Dr. Roberto Luiz Sobania, explica que é vital observar atentamente a região após o procedimento.
Fique atento aos seguintes sintomas:
- Dor persistente: latejamento que não passa após algumas horas.
- Vermelhidão intensa: a área ao redor da unha fica quente e ruborizada.
- Inchaço local: aumento de volume no dedo afetado.
- Presença de secreção: saída de pus ou líquido amarelado.
“Diante de qualquer alteração, a recomendação é não recorrer à automedicação nem tentar resolver em casa, mas buscar avaliação médica”, orienta o especialista da SBCM.
Muitas pessoas tentam estourar a bolha ou usar pomadas sem prescrição, o que pode piorar o quadro. “Quando identificada precocemente, a paroníquia costuma ter tratamento simples e boa evolução”, completa o médico.
Riscos de complicações graves
Embora boa parte dos casos não sejam graves, a negligência pode custar caro. Em algumas situações, há severas complicações que ultrapassam a barreira da pele e atingem estruturas vitais da mão.
Segundo o Dr. Sobania, “a infecção pode comprometer a região da unha, atingir o dedo, a polpa digital e, em casos mais avançados, se disseminar” para o resto do membro, exigindo intervenções drásticas.
O risco é ainda maior em grupos específicos. Pessoas com condições de saúde como o diabetes ou naquelas que demoram a buscar atendimento médico estão mais vulneráveis a desfechos negativos.
Nesses pacientes, o processo infeccioso pode progredir rapidamente pela mão. Isso pode “levar a danos graves na extremidade do dedo, inclusive com possibilidade de perda dessa área”, ressalta o cirurgião.
Como funciona o tratamento
A abordagem médica depende diretamente do estágio da infecção. O médico explica que, nos quadros iniciais e menos graves, a conduta costuma ser conservadora, sem necessidade de cortes ou cirurgias.
Geralmente, prescreve-se o uso de antibióticos específicos para combater a bactéria causadora. Além disso, recomenda-se a aplicação de compressas mornas, que ajudam a facilitar a drenagem natural de secreções.
No entanto, a situação muda quando a infecção avança. “Quando há formação de abscesso, no entanto, pode ser necessário procedimento cirúrgico para escoamento do pus”, explica o especialista.
Prevenção é o melhor remédio
Para continuar cuidando da beleza sem colocar a saúde em risco, a prevenção é a chave. O presidente da SBCM pontua que a principal medida é garantir a esterilização rigorosa de todos os instrumentos.
Alicates, espátulas e palitos devem passar por autoclave. “O ideal é que esses materiais sejam de uso individual”, afirma o médico. Levar seu próprio kit ao salão é a forma mais segura de evitar contaminação cruzada.
Além disso, “a higiene frequente das mãos é fundamental”, salienta o Dr. Sobania. Lavar as mãos com água e sabão antes e depois dos procedimentos ajuda a reduzir a carga bacteriana na pele.
Cuidado com técnicas agressivas
O cirurgião da mão também chama a atenção para o cuidado com técnicas excessivamente agressivas na hora de fazer as unhas. Retirar a cutícula muito fundas ou lixar a superfície da unha em excesso provoca lesões.
“Embora situações extremas não sejam tão frequentes, elas evidenciam um risco que muitas vezes passa despercebido em práticas rotineiras de beleza”, alerta o médico sobre a banalização dos riscos.
Procedimentos aparentemente simples envolvem a integridade da pele, que é a primeira linha de defesa do organismo contra infecções. É preciso respeitar esse tecido para manter a saúde do organismo intacta.
“Os ferimentos rompem a barreira protetora da pele, abrindo caminho para complicações que poderiam ser evitadas com medidas básicas de segurança”, diz o especialista.
Ao adotar esses cuidados simples, você garante que o momento de autocuidado não vire um pesadelo. “A atenção a esses aspectos é fundamental para que práticas de beleza não se transformem em um problema de saúde”, conclui.
