Molécula desenvolvida na UFRJ regenera medula e recebe apelido de ‘proteína de Deus’

Substância criada em laboratório demonstra eficácia na reconexão de fibras nervosas em casos de paralisia

Professora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento do estudo com a polilaminina

Professora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento do estudo com a polilaminina | HugoCarval/Wikimedia Commons

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, desenvolveu uma molécula capaz de regenerar lesões medulares causadas por traumas graves.

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Batizada de polilaminina, a substância sintética atua na reconexão de fibras nervosas em pacientes com quadros de paraplegia e tetraplegia.

Em entrevista ao canal do youtube TV 247, a pesquisadora descreveu a estrutura como a “proteína de Deus” devido ao formato original da laminina, que assemelha-se a uma cruz.

Enquanto a proteína natural tem forma de cruz, a versão sintética age como se várias moléculas estivessem de “mãos dadas” para estimular os nervos.

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Resultados positivos e a importância da janela terapêutica

Em estudos experimentais com oito pacientes desenganados, seis recuperaram parte dos movimentos e um voltou a caminhar.

O tratamento exige aplicação em uma janela de até 72 horas após o trauma, período classificado como crucial para a regeneração.

No Brasil, um militar de 19 anos voltou a movimentar o dedo da mão apenas 12 dias após receber a injeção via ação judicial.

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A bióloga ressalta que em casos crônicos, com meses de lesão, a dificuldade de recuperação é maior devido ao processo patológico.

Laís Souza e o avanço dos estudos clínicos na Anvisa

A ex-ginasta Laís Souza conheceu Bruno Drummond de Freitas, o primeiro paciente no mundo a receber a substância em fase aguda.

Bruno, que sofreu um acidente de carro em 2018, apresentou os primeiros movimentos três semanas após o procedimento cirúrgico.

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O encontro entre a atleta, que sofreu um acidente na preparação dos jogos de inverno de 2011 e ficou tetraplégica, e o paciente foi compartilhado nas redes sociais, destacando o impacto da terapia desenvolvida pela UFRJ.

Atualmente, a Anvisa conduz estudos clínicos de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em tratamentos de trauma raquimedular.

Tecnologia assistiva e o uso de exoesqueletos robóticos

A busca por mobilidade também avança no campo tecnológico com o uso de exoesqueletos robóticos em centros de reabilitação.

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A senadora Mara Gabrilli, tetraplégica há três décadas, utilizou o equipamento para voltar a caminhar de forma assistida em testes em 2023.

O dispositivo complementa os esforços científicos ao oferecer suporte físico enquanto as terapias biológicas buscam a regeneração nervosa.