Demitiram o bombeiro

Uma charge do cartunista Benett está fazendo sucesso nas redes sociais. Nela, um homem parecido ao presidente Jair Bolsonaro, com um galão de gás na mão, diz a um bombeiro que está apagando o fogo de um prédio: “Está demitido”. A ideia passada pelo artista é forte e faz referência à demissão do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Enquanto o ex-titular da Pasta tentava apagar o fogo da pior epidemia que atingiu o Brasil em mais de 100 anos, o presidente criava um clima político belicoso, dizia afirmações sem comprovações científicas em pronunciamentos na TV e era figura decisiva para novamente rachar a opinião pública em um momento em que a necessidade da união era imperiosa.

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Os panelaços contra Bolsonaro ecoaram imediatamente em todas as grandes cidades do País. Em uma pandemia, é a forma mais segura do povo exercer, democraticamente, seu descontentamento. Neste caso não só descontentamento, mas quase um pedido de socorro. Mandetta tinha alta aprovação popular e a sua postura para combater os efeitos do novo coronavírus era elogiada por quem entende de saúde. Não deu tempo de terminar o trabalho.

Pois bem, já está feito, o presidente “trocou o pneu da roda em movimento”, como compararam internautas após o anúncio da mudança ministerial na última quinta-feira (16). O novo titular da Pasta é o oncologista Nelson Teich. É um homem de perfil discreto (o que agradou Bolsonaro, que estaria incomodado com os holofotes sobre Mandetta) e nunca teve atuação política.

Assim como seu antecessor, Teich se mostrou favorável ao isolamento horizontal, contrariando as ideias do presidente. Não seria tarefa fácil encontrar um nome vindo da saúde que apoiaria algo diferente neste momento. Não se pode ter tudo, deve ter pensando Bolsonaro.

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Com uma carreira dedicada ao setor privado, o novo ministro terá que aprender durante uma pandemia de proporções cruéis como funciona o Sistema Único de Saúde, o SUS, um sistema gigante e complexo – e a sua vivência profissional sempre foi desenvolvida no setor privado. Vai precisar entender os meandros da área em que o lucro não é algo a ser perseguido, mas sim a busca da maior eficiência possível com recursos limitados.

Esta era a pior hora para uma mudança no ministério, seja qual fosse o escolhido. Resta desejar sorte e inspiração para Teich. A vida de milhares de pessoas poderá ser poupada se, assim como o antecessor, ele der prioridade em ouvir a ciência a qualquer agente político.