Erros custam vidas

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- | Gazeta de S.Paulo

No início do novo coronavírus na Capital, a Prefeitura de São Paulo parecia estar tomando medidas equilibradas para conter o avanço da doença. Com o passar do tempo, porém, a sensação que passa é de que parte das medidas é levada à frente na base do “achismo”. Durante uma pandemia, porém, erros custam vidas.

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Em 4 de maio, o prefeito Bruno Covas (PSDB) determinou a criação de pontos de bloqueio por vias da cidade para estimular o isolamento. O resultado foram congestionamentos sem necessidade e aumento da lotação no transporte público. A medida foi suspensa dois dias depois após diversas reclamações de funcionários da saúde barrados nos bloqueios.

Em 7 de maio, a gestão municipal determinou a criação de um rodízio veicular bem mais restritivo, que passou a valer a partir do dia 11. Muitos pensaram: “Por que me tirar do carro e me jogar no transporte público durante uma pandemia?”. A resposta nem a prefeitura deve ter, já que suspendeu o rodízio sem grandes explicações uma semana depois.

O episódio mais recente das medidas sem embasamento foi a criação de um “feriadão” nesta semana para estimular o isolamento social. De acordo com o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP), a cidade registrou 51% de isolamento na última quarta-feira (20). Era de 49% no dia anterior, sem o feriado. A recomendação das autoridades de saúde é que o índice mínimo deve ser de 55%.

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Para Armando Luiz Rovai, professor de Direito Empresarial e Administrativo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “as medidas adotadas em especial pela prefeitura são carentes de racionalidade e estudo prévio”. E essa é a mesma impressão de boa parte da população.

O problema de medidas paliativas neste momento é que a gestão municipal vai perdendo a confiança do povo. Dá a impressão de falta de coragem tanto da prefeitura quanto do governo estadual de adotar o confinamento, ou lockdown, quando as pessoas são proibidas de sair de casa a não ser para atividades absolutamente essenciais.

Se for o caso da necessidade de lockdown, é fundamental o governo municipal e estadual comunicarem de forma clara de que não há economia ativa sob pandemia, mesmo se todos os comércios tivessem autorização para funcionar. O lockdown é duro e impopular, mas foi assim que muitas cidades ao redor do mundo começaram a ter um mínimo de vida normal depois da tempestade da Covid-19. Por aqui, todos estamos nos molhando indefinidamente enquanto esperamos pela coragem política de quem nos comanda.