O resultado de investigações livres

A nação clama por uma Justiça forte e independente para que cuecas de políticos, de direita, de esquerda ou do centrão, não sejam mais espaço do dinheiro sujo

O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) foi flagrado com dinheiro na cueca durante uma operação da PF

O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) foi flagrado com dinheiro na cueca durante uma operação da PF | Edilson Rodrigues/Agência Senado

Uma semana após falar que não havia corrupção em seu governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viu o seu então vice-líder no Senado ser flagrado pela Polícia Federal com dinheiro na cueca. O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) foi alvo de uma operação que investiga um esquema milionário de desvio de recursos públicos que deveriam ter sido gastos no combate à pandemia da Covid-19. Durante as buscas em sua casa, os agentes flagraram o senador escondendo cerca de R$ 33 mil do lado de dentro da peça íntima. Ao todo, os valores descobertos na casa do senador chegariam a R$ 100 mil.

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Após o episódio, Chico foi desligado da vice-liderança do governo e afastado do Senado. O senador alega inocência.

A prática de esconder valores suspeitos de corrupção em peças íntimas não é nova no Brasil. Em 2005, por exemplo, o PT passou por situação parecida, quando o assessor do deputado federal José Guimarães (PT-CE) foi preso no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 100 mil na cueca e R$ 200 mil em uma valise.

O caso, com razão, se tornou um escândalo e ajudou a desgastar a imagem do PT junto à opinião pública. O que salvou a legenda à época foi a então enorme popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro, agora, também goza de mais aprovação do que de reprovação, mas é bom não vacilar. A história recente mostra que o ânimo da população com as figuras políticas pode mudar de uma semana para outra.

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A afirmação de Bolsonaro de que não precisaria da Operação Lava Jato por não haver corrupção em seu governo é descabida de muitas formas. Ao menos em democracia, não é papel dos governantes dizerem se investigações são necessárias. Se fosse apenas acreditar no que diz o chefe do Executivo, não haveria a revelação de qualquer escândalo de corrupção na história nacional.

Na quarta-feira, um dia antes da descoberta do dinheiro na cueca do vice-líder do governo no Senado, o presidente prometeu que daria uma “voadora no pescoço” de quem se envolvesse em corrupção no seu governo. Até este momento, Chico Rodrigues não levou qualquer voadora, mesmo que figurada, do presidente. E não precisa. As investigações livres fizeram o seu papel e receberam, mais uma vez, apoio do povo brasileiro. A nação clama por uma Justiça forte e independente para que cuecas de políticos, de direita, de esquerda ou do centrão, não sejam mais espaço do dinheiro sujo.