Escondida nas montanhas, cidade totalmente azul parece saída de um sonho

Nas montanhas Rif, Chefchaouen mistura escadarias azuis, portas antigas, mercados e um ritmo mais tranquilo

O azul flutua nos mais diversos tons, desde o marinho e turquesa até o bebê e safira

O azul flutua nos mais diversos tons, desde o marinho e turquesa até o bebê e safira | Mark Fischer / Wikimedia Commons

Chefchaouen, no norte do Marrocos, é reconhecida como a cidade azul, pois, onde quer que você olhe, você irá encontrar essa cor. Além de estética, a cor azulada tem raízes na história e religiosidade dessa cidade no norte da África.

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A cidade fica nas montanhas Rif, longe do ritmo mais intenso de destinos como Marrakech e Fez. O charme está no passeio sem pressa pela medina, onde portas, muros, vasos e degraus formam um cenário quase monocromático com clima mediterrâneo.

Por que azul?

Em Chefchaouen, o azul aparece sobretudo na medina, em paredes, portas, escadarias e fachadas. O livro “Understanding Chefchaouen”, da pesquisadora Letizia Dipasquale, trata a área antiga como patrimônio arquitetônico de grande valor.

A origem mais citada liga a cor à presença judaica. A versão diz que judeus que chegaram à cidade no século 20 ampliaram o uso do azul, cor associada no judaísmo ao céu, ao divino e aos fios usados em xales de oração, segundo a revista AFAR.

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Moradores também apontam outras explicações: o azul teria ajudado a afastar mosquitos, refrescar as casas ou destacar o antigo bairro judeu, o Mellah. Como não há consenso documental, a explicação fica a critério de cada um de qual origem escolher acreditar.

Uma cidade antiga nas montanhas

Chefchaouen foi fundada em 1471, em uma região montanhosa do norte marroquino. Sua localização ajudou a cidade a funcionar como refúgio ao longo da história, especialmente para grupos vindos da Península Ibérica.

A cidade também teve forte influência andalusina, percebida nas ruas estreitas, nos pátios internos, nos telhados e na forma como a medina se encaixa no relevo. A sensação é de um lugar pequeno, mas cheio de camadas.

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A fama também rendeu a Chefchaouen o apelido de Pérola Azul do Marrocos, nome dado por turistas e viajantes.

O que ver em Chefchaouen

O melhor jeito de conhecer Chefchaouen é caminhar. A medina concentra lojas pequenas, cafés, hospedagens, fontes, escadarias e praças que permitem observar a cidade sem depender de grandes deslocamentos.

A praça Uta el-Hammam costuma ser um dos pontos centrais do passeio. Ali ficam restaurantes, comércio local e a vista para a Kasbah, construção histórica que ajuda a contar parte da formação da cidade.

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Praça Uta el-Hammam (Foto: Fraguando / Wikimedia Commons)Praça Uta el-Hammam (Foto: Fraguando / Wikimedia Commons)

Também vale incluir a região de Ras el-Maa, onde a água desce das montanhas e moradores mantêm hábitos simples do dia a dia. Para muitos visitantes, esse trecho mostra uma Chefchaouen menos posada, mais cotidiana.

Quando vale a pena visitar

Chefchaouen pode ser visitada em diferentes épocas do ano, mas os períodos de clima mais ameno costumam tornar as caminhadas mais agradáveis. Como boa parte do passeio é feita a pé, calor forte ou chuva podem atrapalhar.

O destino combina melhor com quem gosta de viagem lenta. Um dia permite ver os principais pontos, mas dormir na cidade ajuda a aproveitar as ruas cedo, antes do movimento maior de turistas.

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Também vale lembrar que Chefchaouen fica em área montanhosa. O trajeto pode exigir estrada a partir de cidades como Tânger, Tetuão ou Fez. Por isso, o ideal é encaixar a visita em um roteiro pelo norte do país, já que o Marrocos oferece cenários variados para turistas curiosos.