São Paulo pode “ser uma droga e usar você”, morada da “rua Consola-são e salvo”, ter gosto de maçã envenenada, ou até mesmo fazer quem transita pela cidade se sentir afogado pela imensidão da metrópole. Ou, quem sabe, despertar o desejo de conhecer mais profundamente a cultura da arte paulistana. Tudo vai depender de qual canção da discografia de João Vitor Romania Balbino, o Jão, você estiver escutando.
Não é novidade para os fãs do cantor que Jão tem o costume de apostar em mega produções, eras bem trabalhadas e álbuns que se amarram uns aos outros. Isso se tornou ainda mais evidente, e furou a bolha, com o seu último lançamento, o videoclipe de “Catedral”, filmado inteiramente no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand).
Utilizando diversos espaços do museu e brincando com possibilidades, Jão mescla elementos de sua própria carreira com quadros, fotografias de sua família(e inclusive a participação de membros) e um extenso grupo de dançarinos. Ao fundo de todas as cenas, brilha o MASP.
Imponente, um dos maiores cartões-postais do estado e principalmente: atrativo. Como se estivesse fazendo um convite àqueles que assistem o clipe para também passearem por aqueles corredores.
Aspecto em comum com outras produções do cantor, que deixam aquele gostinho de que sempre tem um novo pedaço de São Paulo para desbravar, assim como ele faz.
Foi pensando naqueles que mergulham em cada projeto de Jão que separamos algumas das locações utilizadas nos clipes ou citadas nos versos de suas músicas; aqui, Jão serve como guia turístico de uma São Paulo que é só sua, através da sua ótica.
Catedral e o MASP
Após uma pausa na carreira de um ano e meio, Jão retornou em grande estilo lançando o primeiro single de sua nova era Memórias Póstumas, Catedral, que estreou na 9° posição do Top Songs Brasil do Spotify. Um verdadeiro apaixonado pelo MASP, ele não deixou de marcar o museu em sua discografia.
Fundado em 1947, foi pouco a pouco conquistando seu espaço na capital, tendo como primeiro e provisório endereço a rua 7 de abril, no centro da cidade.
Esse projeto de viabilizar um museu paulistano nasceu das mentes de Assis Chateaubriand (1892-1968) e Pietro Maria Bardi (1900-1999), com objetivo de, conforme a cidade se expandia, a tecnologia irrompia pelo concreto, trazer também a arte e a cultura para a paisagem e o cotidiano de quem transitava ali.
Hoje, o MASP, no endereço Avenida Paulista, 1578, Bela Vista, oferece manifestações artísticas, exibições de filmes e a tradicional feira de antiguidades que ocorre no espaço há 25 anos todo domingo. Além disso, o museu conta com mais de 11 mil obras, dentre esculturas, quadros, objetos, fotografias, pinturas e vídeos de todos os cantos do mundo.
Jão usa todos esses elementos para compor a identidade visual de Catedral. Para visitar os mesmos ambientes do clipe, basta reservar seu ingresso no site do MASP; os preços variam de R$85 a inteira e R$42 pelo ingresso meia-entrada. Às terça-feiras a entrada é gratuita para quem tem cartão Nubank, basta apresentá-lo na fila de acesso ao museu.
O museu funciona de terça à domingo, com horários específicos. Vale conferir no site oficial a disponibilidade no dia desejado.
São Paulo, 2026
Jão descreve em São Paulo, 2015, 13° faixa de seu 4° álbum de estúdio, Super, uma experiência que pode trazer familiaridade para aqueles que navegam pela juventude na capital: “Do campo pro asfalto, uma jaqueta e queixo alto. Vou rasgando pela noite, coração na mão.”
E nada mais jovem paulistano que se aventurar pelas ruas da Terra da Garoa em busca de futuras memórias. A Rua Consolação, citada na música e primeiro endereço do cantor após deixar Américo-Brasiliense, traz consigo bares despojados, um dos cinemas mais antigos da cidade, tour pelo Cemitério da Consolação, passagens subterrâneas e muitas histórias para contar para quem visita.
Um dos pontos mais movimentados da noite paulistana, a Rua da Consolação é um marco na história paulista e na narrativa de vida e música de Jão. Aos fãs, vale a pena marcar presença e descobrir quais encantos e mistérios a rua Consola-são e salvo tem para oferecer.
Essa eu fiz pro nosso amor, São Paulo
Quem consome a discografia do cantor e compositor américo-brasiliense, com certeza já reparou nas letras a presença de avenidas que se tornaram imediatamente icônicas no imaginário dos ouvintes. A graça mora no fato de que a Avenida São João, por exemplo, é realmente simbólica para a cidade de São Paulo.
Nela podem ser encontrados a Galeria do Rock, parada obrigatória para os amantes do estilo, restaurantes e bares tradicionais, como o Bar Brahma, antigo reduto de nomes como Adoniran Barbosa, Jânio Quadros, Ari Barroso, entre outros e que hoje recebe atrações da MPB e permanece sendo um ícone da cultura boêmia da cidade.
Além disso, a Avenida São João tem logo à sua esquina outro endereço famoso: a Avenida Ipiranga, que abriga o célebre Edifício Copan e também traz consigo seu próprio charme.
Os fãs do Jão que quiserem aproveitar as redondezas da rua e entender na pele as músicas, podem visitar o famoso Edifício Martinelli e aproveitar as diversas festas que acontecem no terraço, basta checar a agenda do local.
Imaturo na USP
Jão se formou em Publicidade e Propaganda no ano de 2018 na Universidade de São Paulo. Além de ambiente da sua graduação, Jão transformou a USP em palco do clipe de Imaturo.
Na época, Jão e Pedro Tófani, seu diretor criativo e namorado, ainda estudavam por lá e conseguiram usar o espaço sem custos sob a ideia de que o curta faria parte do projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Os espaços que aparecem no clipe fazem parte do Centro de Práticas Esportivas da USP e da Escola de Educação Física e Esporte.
Neste último, fica a icônica piscina com o trampolim, que rendeu um dos momentos mais marcantes do clipe. Ambos os espaços não são abertos ao público geral, mas passear pelas histórias, curiosidades e bastidores da carreira do Jão é também, num geral, conhecer um pouco mais da história de São Paulo.






