Uma figura de caveira com vestido roxo e dimensões impressionantes transformou o coração da Cidade do México em uma das atrações do Día de los Muertos. Com 33,411 metros de altura, a Catrina instalada no Zócalo entrou para o Guinness World Records como a mais alta do mundo.
A escultura foi inaugurada em 29 de outubro de 2026 e fica na Plaza de la Constitución, diante da Catedral Metropolitana. A obra integra a oferenda monumental montada para celebrar uma das tradições culturais mais conhecidas do México.
Criada pelo Taller de Arte Xibalbá, a estrutura supera o recorde anterior, de uma Catrina com 28,15 metros instalada em Puerto Vallarta, em 2023. Cerca de 140 profissionais participaram da produção da nova atração.
Escultura gigante é cercada por milhares de flores
Além da altura, a instalação chama a atenção pela riqueza dos detalhes. A personagem veste um traje roxo que se estende por mais de 27 metros e ocupa o centro de uma composição com elementos tradicionais da cultura mexicana.
Ao redor da escultura, cerca de 70 mil flores de cempasúchil formam parte do cenário. Conhecida pela coloração alaranjada e pelo aroma marcante, a flor tem papel importante nas celebrações do Día de los Muertos.
A oferenda monumental também inclui tapetes de serragem colorida, esculturas de axolotes e elementos inspirados nos alebrijes, criaturas fantásticas presentes no artesanato mexicano. A iluminação temática completa a decoração da praça.
A instalação pode ser visitada gratuitamente até 2 de novembro de 2026, data que marca o encerramento da programação no Zócalo.
Quem criou a Catrina e qual é o significado da personagem?
Apesar de ter se tornado um dos símbolos mais conhecidos do Día de los Muertos, a Catrina surgiu como uma crítica social. Sua origem está ligada ao trabalho do ilustrador e gravador mexicano José Guadalupe Posada, que criou a figura conhecida como Calavera Garbancera no início do século 20.
A imagem satirizava pessoas que negavam suas origens indígenas e tentavam imitar os costumes e a aparência das elites europeias. A caveira com chapéu elegante representava a vaidade e a tentativa de aparentar uma posição social diferente.
Décadas depois, o muralista Diego Rivera ajudou a popularizar a personagem ao retratá-la em seu mural Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central, de 1947. Foi nesse contexto que a figura passou a ser conhecida como La Catrina.
Com o tempo, ela se consolidou como um símbolo da cultura mexicana e passou a integrar as celebrações dedicadas à memória dos mortos.
Día de los Muertos celebra a vida e a memória
O Día de los Muertos acontece principalmente nos dias 1º e 2 de novembro. A tradição reúne famílias que preparam altares, chamados de ofrendas, com fotografias, velas, alimentos, bebidas e objetos associados às pessoas que morreram.
As flores de cempasúchil ocupam um lugar especial nesses altares. Segundo a tradição popular, sua cor vibrante e seu aroma ajudam a orientar simbolicamente os espíritos durante o retorno ao mundo dos vivos.
Diferentemente de uma celebração exclusivamente ligada ao luto, a festividade combina memória, identidade cultural e homenagens aos familiares e amigos que já partiram.
A festa do Día de los Muertos também movimenta o turismo e atrai visitantes interessados em conhecer as tradições mexicanas. Na Cidade do México, o Zócalo concentra uma das principais atrações da programação, com a Catrina monumental e a grande oferenda aberta ao público.
Para quem visita a capital mexicana no fim de outubro ou no início de novembro, a instalação oferece a oportunidade de conhecer de perto uma tradição que combina arte popular, história e memória coletiva.






