Praias vazias, lojas fechadas e hotéis abandonados: o destino que antes vivia lotado de turistas hoje parece uma verdadeira cidade fantasma

Conhecido pelas praias de águas cristalinas, destino turístico enfrenta queda no número de visitantes, cancelamento de voos e fechamento de estabelecimentos após anos de sucesso

Praia de Tulum, no Caribe mexicano, reúne águas cristalinas e ruínas maias, mas enfrenta queda no número de turistas (Foto: FeldBum – Wikimedia Commons)

Praia de Tulum, no Caribe mexicano, reúne águas cristalinas e ruínas maias, mas enfrenta queda no número de turistas (Foto: FeldBum – Wikimedia Commons)

Um dos destinos mais cobiçados do Caribe enfrenta uma crise que já transformou a paisagem de suas praias e ruas. Em Tulum, no México, hotéis antes movimentados estão abandonados, estabelecimentos comerciais fecharam as portas e até o aeroporto internacional passou a receber menos aviões.

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O contraste chama atenção em uma cidade que viveu uma explosão turística após a pandemia. Suas praias de águas azul-turquesa, hotéis à beira-mar e construções maias atraíram visitantes de diferentes partes do mundo, impulsionando investimentos e elevando o custo dos serviços.

Agora, o cenário é outro: a combinação de preços elevados, redução das conexões aéreas e acúmulo de algas nas praias aprofundou a crise econômica do município, localizado no estado mexicano de Quintana Roo.

As consequências ultrapassam o setor hoteleiro. Trabalhadores tiveram jornadas reduzidas, comerciantes perderam clientes e famílias que dependiam da movimentação turística passaram a procurar outras fontes de renda.

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A situação contrasta com o desempenho de outras praias da região, como a mexicana Isla Pasión, que liderou um ranking internacional de destinos paradisíacos em 2026. A Gazeta de São Paulo mostrou como praias do México e da Grécia ganharam destaque entre os turistas.

Aeroporto quase vazio

Inaugurado em 2023, o Aeroporto Internacional de Tulum surgiu como uma das principais apostas para expandir o turismo na Riviera Maya. O objetivo era facilitar a chegada de visitantes e reduzir a pressão sobre o aeroporto de Cancún, tradicional porta de entrada para a região.

Três anos depois, a movimentação está distante das expectativas iniciais. Durante uma visita relatada pelo El País, apenas um Airbus A320 da Viva Aerobus ocupava a pista. A aeronave permaneceu como a única no terminal durante várias horas, enquanto o silêncio predominava nas instalações.

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Companhias como Aeroméxico, Volaris e American Airlines anunciaram o encerramento de parte das rotas para o destino. A decisão reflete as dificuldades enfrentadas pelas empresas para manter operações rentáveis diante da redução da procura.

Os números também revelam a dimensão do problema. Dados da Agência Federal de Aviação Civil do México (AFAC), apresentados pela reportagem, indicam uma queda de 1.117 voos em 2024 para 689 em 2025, nos períodos considerados pelo levantamento.

Hotéis ficam abandonados

Na zona hoteleira, a transformação pode ser observada em estabelecimentos que até pouco tempo recebiam turistas regularmente. Alguns passaram a funcionar com ocupação reduzida, enquanto outros simplesmente encerraram as atividades.

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Um dos casos mais emblemáticos é o Maya Tulum, complexo à beira-mar que oferecia cabanas, restaurante e estrutura de lazer. Em outubro de 2025, ainda havia hóspedes aproveitando o espaço. Um ano depois, o cenário encontrado era de abandono.

Cadeiras, mesas e espreguiçadeiras permaneciam espalhadas pelas instalações vazias. Sem manutenção, a praia em frente ao estabelecimento acumulava grandes quantidades de algas, formando uma faixa de aproximadamente um quilômetro.

Para quem depende economicamente do turismo, a situação tem provocado mudanças profundas na rotina. Blanca Ramírez contou ao El País que o marido, empregado em um hotel, passou a enfrentar a redução da jornada de trabalho. A renda familiar deixou de ser suficiente para cobrir todas as despesas.

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Como alternativa, o casal começou a complementar os ganhos com serviços de carpintaria e aluguel de quartos. Mas até essa atividade foi afetada pela queda da procura: dos quatro quartos disponíveis, apenas dois estavam ocupados.

O comércio local também sente os efeitos da retração. Uma das duas unidades do Starbucks na cidade fechou as portas, enquanto outros estabelecimentos enfrentam dificuldades para atrair consumidores.

Algas tomam as praias

A crise econômica coincide com um problema ambiental que compromete a principal atração turística de Tulum. O sargaço, tipo de alga marinha que se acumula no litoral caribenho, tomou conta de extensas faixas de areia e alterou a coloração da água.

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Em algumas praias, o azul-turquesa deu lugar a tons marrons e avermelhados. O material acumulado na costa também provoca odores desagradáveis durante o processo de decomposição, afastando visitantes que procuram o destino para aproveitar o mar.

Dados de satélite da NASA citados pelo El País apontam que 2026 registrou uma concentração excepcionalmente elevada de sargaço no Caribe. Além dos prejuízos à paisagem, a decomposição libera sulfeto de hidrogênio, um gás que pode representar riscos ambientais e à saúde dependendo da concentração.

Para enfrentar o problema, o governo mexicano mobilizou equipes de limpeza e instalou barreiras em determinados pontos da costa. Entretanto, as medidas ainda não conseguem atender toda a extensão do litoral.

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Mesmo nas praias públicas, onde algumas famílias continuam frequentando a areia, há visitantes que preferem não entrar na água. O acúmulo das algas reforça a sensação de abandono em determinados trechos da região.

Ruínas perdem visitantes

Nem mesmo o patrimônio histórico de Tulum escapou da desaceleração. A zona arqueológica, conhecida pelas construções maias próximas ao mar, registrou uma redução expressiva no número de visitantes.

Em setembro de 2024, o complexo recebeu 74.385 pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH). No mesmo mês de 2026, foram apenas 22.100 visitantes, uma queda de aproximadamente 70% em dois anos.

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Parte da insatisfação também esteve relacionada à cobrança de taxas para acessar o Parque Jaguar, área criada no entorno do sítio arqueológico. Em determinado momento, os valores chegaram a 515 pesos mexicanos, aproximadamente 28 dólares.

Após reclamações de turistas e moradores, as autoridades flexibilizaram as regras e passaram a permitir o acesso gratuito a determinadas praias. A visitação das ruínas, entretanto, continua sujeita à cobrança de ingresso.

A discussão sobre o acesso ao litoral também ocorre em outros destinos caribenhos. Na Jamaica, por exemplo, a expansão de resorts tem restringido o acesso de moradores a praias públicas.

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Além dos custos turísticos, problemas de infraestrutura também afetam a experiência dos visitantes em Tulum. Ruas com buracos e iluminação pública insuficiente fazem parte das dificuldades relatadas em áreas do município.

Recuperação vira desafio

Diante do enfraquecimento do setor, o governo mexicano lançou a campanha Tulum Renace, iniciativa que busca recuperar a imagem da cidade e atrair novamente os visitantes.

Entre as medidas anunciadas estão a ampliação do acesso gratuito às praias, o reforço das operações de limpeza do sargaço e investimentos na recuperação das principais vias urbanas.

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A conectividade aérea também entrou na estratégia. A governadora de Quintana Roo, Mara Lezama, anunciou novas rotas ligando Tulum às cidades canadenses de Montreal e Toronto, numa tentativa de estimular a chegada de turistas internacionais.

Enquanto isso, empresários e trabalhadores depositam suas expectativas na temporada de Natal, período tradicionalmente importante para a economia da região. A esperança é que a procura por hospedagens e serviços volte a crescer nos próximos meses.

Apesar das dificuldades, Tulum preserva parte dos atrativos que a transformaram em um destino internacionalmente conhecido. Suas ruínas maias, paisagens naturais e praias continuam despertando interesse, mas a recuperação depende de enfrentar problemas que vão além da queda momentânea no número de visitantes.

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Para uma cidade cuja economia cresceu rapidamente impulsionada pelo turismo, o desafio agora é recuperar a confiança dos viajantes sem repetir os desequilíbrios que acompanharam sua expansão.