Turismo espacial já existe; quanto custa viajar ao espaço hoje e por que isso ainda é raro

O mercado já tem voos suborbitais, viagens orbitais e balões, mas os destinos mais ambiciosos seguem no campo da promessa

Realidade em filmes de ficção científica está se tornando mais próxima a cada dia, mesmo que lentamente

Realidade em filmes de ficção científica está se tornando mais próxima a cada dia, mesmo que lentamente | Divulgação / IMDb

Filmes de ficção científica como Ad Astra e Interestelar ajudaram a popularizar no imaginário comum o sonho de visitar o espaço. Só que esse mercado já existe: hoje, empresas privadas vendem desde voos curtos à borda do espaço até missões privadas à Estação Espacial Internacional (ISS).

Atualmente, o turismo espacial se divide em quatro frentes: voos suborbitais, que sobem e voltam em minutos; missões orbitais, com estadias de cerca de duas semanas; balões estratosféricos, que oferecem vista da curvatura da Terra; e, no horizonte mais distante, Lua e Marte.

Logo abaixo da órbita

Os voos suborbitais são a modalidade mais conhecida. Neles, o passageiro cruza a parte mais densa da atmosfera, observa a Terra do alto e sente alguns minutos de microgravidade antes do retorno. É a experiência espacial mais curta e, entre as existentes, a mais “acessível”.

Esse é o segmento de empresas como Blue Origin e Virgin Galactic. No caso da Blue Origin, a companhia informa apenas um depósito reembolsável de US$ 150 mil para iniciar o processo de compra, deixando claro que isso não garante assento. Já a Virgin retomou em março de 2026 a venda limitada de passagens por US$ 750 mil cada.

Lançamento da aeronave New Shepard NS-36 da Blue Origin feito em outubro de 2025Lançamento da aeronave New Shepard NS-36 da Blue Origin feito em outubro de 2025 (Foto: Space.tracker.nerd / Wikimedia Commons)

Mesmo nesse patamar “mais barato”, o turismo espacial segue longe de ser popular. Além do preço, os operadores exigem avaliações e preparo físico mínimo. No caso suborbital, a viagem dura poucos minutos; no orbital, o treinamento pode ocupar de oito meses a um ano antes do lançamento.

Além da Terra

Já o turismo orbital representa um salto de custo e complexidade. Em vez de uma subida breve, o viajante entra em órbita baixa e passa cerca de 14 dias no espaço. Nesse modelo, o turista fica mais próximo de um astronauta privado do que de um passageiro convencional.

As missões privadas à ISS ajudaram a consolidar esse nicho. A Axiom Space, que organiza voos em parceria com a SpaceX, trabalha com preços em torno de US$ 70 milhões por assento, valor definido caso a caso. Esse pacote inclui treinamento próximo ao padrão da NASA, quarentena e preparação intensa para a missão.

Outras modalidades

Outra frente que ganhou atenção é a do chamado “quase espaço”. Nesse caso, a proposta não envolve foguetes, mas cápsulas presas a balões estratosféricos. A Space Perspective chegou a vender assentos por US$ 125 mil, enquanto a espanhola HALO Space divulgou bilhetes na faixa de € 150 mil para futuras operações.

A promessa é de uma subida lenta, vista panorâmica e menos exigência física que num foguete. Ainda assim, esse mercado continua menos consolidado do que os voos suborbitais e orbitais, porque boa parte das empresas ainda depende de testes, certificações e cronogramas que mudam com frequência.

Lua e Marte

Quando o debate chega à Lua e, sobretudo, a Marte, o cenário muda de escala. Não há hoje turismo regular para esses destinos. A NASA afirma que trabalha para enviar astronautas a Marte já na década de 2030, enquanto a SpaceX diz em sua página da Starship que voos de carga para a superfície marciana começam também neste ano.

Na prática, isso significa que Marte ainda está no campo da exploração pioneira, não do turismo vendável. Antes de existir uma “passagem” para o planeta vermelho, será preciso resolver custos extremos, radiação, infraestrutura de pouso, permanência e retorno. Por enquanto, viajar ao espaço já é realidade; viajar a Marte ainda é projeto de longo prazo.