A aldeia de pedra que paga até R$ 270 mil para você morar lá

A aldeia medieval de Santo Stefano di Sessanio, em Abruzzo, está pagando para ter novos moradores e mais de 1.500 pessoas já demonstraram interesse na proposta

Mais de 1.500 pessoas já demonstraram interesse em trocar a vida nas metrópoles pelo ritmo tranquilo do interior da Itália.

Mais de 1.500 pessoas já demonstraram interesse em trocar a vida nas metrópoles pelo ritmo tranquilo do interior da Itália. | Reprodução/YT

Santo Stefano di Sessanio, uma aldeia medieval de apenas 115 habitantes encravada nos Apeninos italianos, lançou um programa que oferece até 44.000 euros em subsídios, moradia com aluguel simbólico e apoio para abrir negócios a quem aceitar se mudar para lá de forma permanente.

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Santo Stefano di Sessanio fica a poucos quilômetros de Roma, dentro do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga, em Abruzzo.

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Com ruas de pedra centenárias e casas históricas preservadas, a aldeia carrega toda a beleza típica do interior italiano. Mas os números contam outra história.

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São apenas 115 habitantes. Metade deles são aposentados. Há pouco mais de 20 crianças abaixo de 13 anos e cerca de 70 moradores vivendo ali o ano inteiro.

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O programa de incentivo oferece subsídios financeiros e moradia com aluguel simbólico para atrair jovens e empreendedores. Foto: Reprodução/Youtube

A situação chegou a um ponto crítico: a continuidade dos serviços básicos passou a depender diretamente da chegada de novos residentes.

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O que está por trás do esvaziamento

O caso de Santo Stefano não é isolado. Ele acompanha uma tendência que afeta centenas de municípios rurais europeus, onde as gerações mais jovens migram para cidades em busca de trabalho e estudo.

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O resultado é sempre o mesmo: casas vazias, população envelhecida e serviços públicos que ficam inviáveis com poucos usuários.

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Diante disso, o prefeito Fabio Santavicca estruturou um programa com uma lógica diferente das iniciativas parecidas que surgiram antes — como as que vendiam imóveis por um euro simbólico.

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Mais de 1.500 pessoas já demonstraram interesse em trocar a vida nas metrópoles pelo ritmo tranquilo do interior da Itália. Foto: Reprodução/Youtube

A ideia aqui vai além do apelo visual. O objetivo é criar condições reais para que as pessoas construam uma vida sustentável na aldeia, não apenas se mudem para lá.

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O pacote de incentivos completo

O programa de Santo Stefano di Sessanio é considerado um dos mais completos entre as iniciativas de repovoamento rural ativas na Europa em 2026. Confira o que ele oferece:

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  • Até 8.000 euros por ano durante três anos consecutivos, apenas por residir na aldeia
  • Subsídio único de até 20.000 euros para quem abrir um negócio alinhado com os objetivos locais
  • Moradia com aluguel simbólico, muito abaixo do praticado em qualquer cidade italiana
  • Apoio burocrático para regularização da mudança, especialmente para estrangeiros
  • Acesso ao Parque Nacional Gran Sasso, que garante fluxo turístico constante para quem empreende no setor

Quem pode se candidatar

O programa não é para todo mundo. Turistas curiosos ou interessados em uma experiência temporária estão fora do escopo desde o início.

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Durante o inverno, a aldeia a 1.300 metros de altitude fica coberta pela neve, criando um cenário típico das montanhas europeias. Foto: Reprodução/Youtube

Os critérios são claros e foram pensados para garantir que os novos moradores realmente fiquem:

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  • Menos de 40 anos — esse perfil tem prioridade na seleção
  • Compromisso de residência mínima de cinco anos
  • Cidadãos da União Europeia ou pessoas com condições de obter residência legal na Itália
  • Apresentação de um projeto de negócio viável, ligado a turismo, gastronomia ou cultura local
  • Disposição para integração real à vida comunitária da aldeia

Como é o dia a dia em Santo Stefano

A aldeia fica a cerca de 1.300 metros de altitude. Os invernos são frios e nevados, com as ruas de pedra cobertas de branco por semanas.

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Os verões oferecem temperatura amena, paisagens abertas sobre os Apeninos e um fluxo constante de visitantes atraídos pelo patrimônio histórico.

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A aldeia é considerada um dos destinos com atrações turísticas preservadas mais notáveis da Itália, o que garante demanda estável ao longo do ano para quem empreende no local.

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O cotidiano exige adaptação. Ter carro é indispensável: supermercados maiores e hospitais de maior complexidade ficam a dezenas de quilômetros.

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O programa de incentivo oferece subsídios financeiros e moradia com aluguel simbólico para atrair jovens e empreendedores. Foto: Reprodução/Youtube

Mas quem chegou para ficar raramente descreve isso como um problema. Ausência de congestionamentos, silêncio noturno e relações de vizinhança genuínas compensam cada deslocamento necessário.

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O interesse que surpreendeu até os organizadores

Desde o lançamento do programa, mais de 1.500 pessoas manifestaram interesse em poucas semanas. O número surpreendeu e mostrou que a demanda por alternativas à vida nas grandes cidades cresceu de forma consistente.

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O trabalho remoto tem um papel central nisso. Antes, trocar a cidade por uma aldeia nas montanhas significava abrir mão da carreira. Hoje, para muitos profissionais, essa equação não existe mais.

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Designers, fotógrafos, escritores, consultores e profissionais ligados à tecnologia e inovação figuram entre os perfis mais comuns dos candidatos interessados.

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Uma aposta contra o esvaziamento passivo

A iniciativa de Santo Stefano vai na direção contrária ao que a maioria das aldeias europeias faz — que é esperar que a tendência se reverta sozinha.

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Em vez disso, a aldeia decidiu criar as condições para que a reversão aconteça.

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O resultado ainda está sendo construído, mas o interesse já deixa claro que existe um contingente real de pessoas prontas para trocar o metro quadrado caro das capitais europeias por ruas de pedra, montanhas e uma comunidade onde todo mundo se conhece pelo nome.

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Para quem sonha em trocar o ritmo urbano por vida no interior, Santo Stefano di Sessanio pode ser literalmente a oportunidade de uma vida.

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* O texto contém informações do site Catraca Livre.