Antes e depois do xixi: o hábito que médicos pedem em 2026

Urologistas e ginecologistas explicam por que o hábito vale para homens e mulheres e quais riscos surgem quando ele é ignorado

Especialistas alertam que as mãos carregam milhões de bactérias ao longo do dia e levá-las à região genital sem lavar pode causar inflamações e infecções urinárias.

Especialistas alertam que as mãos carregam milhões de bactérias ao longo do dia e levá-las à região genital sem lavar pode causar inflamações e infecções urinárias. | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Lavar as mãos antes e depois de urinar é uma recomendação médica que muita gente ainda desconhece — e ignorá-la pode abrir caminho para infecções sérias.

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Resumo da matéria:

O gesto de lavar as mãos ao sair do banheiro é antigo e bem conhecido. Mas lavar antes de urinar?

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Esse passo quase ninguém pratica — e é exatamente ele que os médicos dizem fazer toda a diferença na prevenção de doenças causadas por falta de higiene.

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    O que os especialistas dizem

    O urologista Marcos Arap, do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio-Libanês, é direto: “É importante cultivar esse hábito para não levar bactérias à região peniana e evitar infecções”, disse ao Portal Drauzio Varella.

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    Ao longo do dia, as mãos entram em contato com celulares, corrimãos, dinheiro, teclados e dezenas de outras superfícies. Cada um desses contatos pode depositar milhares de microrganismos nos dedos e nas palmas.

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    Quando você vai ao banheiro sem lavar as mãos antes, leva toda essa carga bacteriana direto para uma região do corpo sensível e propensa a infecções. O resultado pode ser uma inflamação incômoda — ou algo mais sério.

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    Riscos para os homens

    Para os homens, a principal ameaça é a balanopostite: uma inflamação da glande e do prepúcio causada por bactérias ou fungos que chegam até a região por contato direto — inclusive pelo toque das próprias mãos.

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    O urologista Rogério Simonetti, professor de Urologia da Unifesp (Escola Paulista de Medicina), explica que a higiene correta do pênis exige atenção especial: é preciso retrair o prepúcio, lavar em volta da glande e remover o esmegma — a secreção natural que se acumula na região.

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    Sem esses cuidados básicos, o risco vai além das inflamações. A falta de higiene íntima masculina continuada pode, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), aumentar as chances de desenvolvimento do câncer de pênis, doença rara mas que, quando não tratada a tempo, pode levar à amputação do órgão.

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    Além de lavar as mãos, médicos recomendam outros cuidados simples no dia a dia:

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    • Enxugar bem a glande com papel higiênico após urinar — a umidade favorece fungos
    • Usar sabonete com pH fisiológico (entre 5 e 6) em caso de irritações frequentes
    • Preferir cuecas de algodão e mais folgadas para manter a saúde da região íntima
    • Nunca usar peças íntimas úmidas, que facilitam a proliferação de fungos

    Riscos para as mulheres

    Para as mulheres, o alerta é ainda mais urgente. A uretra feminina é muito mais curta do que a masculina e fica próxima da vagina e do ânus — o que facilita a migração de bactérias para a bexiga.

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    Esse caminho curto explica por que as infecções urinárias são muito mais comuns nas mulheres. Lavar as mãos antes de tocar a região genital reduz diretamente a quantidade de bactérias que podem causar infecção no trato urinário.

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    Além disso, ginecologistas reforçam outra regra básica: sempre se limpar da frente para trás após usar o banheiro, para evitar que bactérias da região anal contaminem a vulva e a uretra.

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    Um hábito que quase ninguém pratica

    Apesar da recomendação médica ser clara, os dados mostram que pouquíssimas pessoas seguem esse hábito. Pesquisas indicam que apenas 43% dos homens lavam as mãos regularmente após ir ao banheiro — contra 69% das mulheres. Antes de urinar, o número é ainda menor para ambos os sexos.

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    Os lugares mais contaminados do cotidiano são exatamente os que tocamos com mais frequência: celulares, maçanetas, teclados e dinheiro. Esses objetos transferem microrganismos para as mãos sem que a pessoa perceba.

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    O NHS, serviço de saúde do Reino Unido, aponta a higiene das mãos como um dos gestos mais eficazes para prevenir a transmissão de doenças — tanto para si mesmo quanto para as pessoas ao redor.

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    Como lavar as mãos do jeito certo

    Não basta passar as mãos rapidamente pela água. A técnica correta, segundo especialistas, inclui algumas etapas simples:

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    1. Molhe as mãos em água corrente
    2. Aplique sabonete e esfregue por pelo menos 20 segundos
    3. Cubra todas as áreas: palmas, dorso, entre os dedos e as unhas
    4. Enxágue bem e seque com papel toalha ou toalha limpa

    Esse ritual parece simples — e é. Mas a regularidade é o que transforma o gesto em hábito saudável com impacto real na saúde.

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    FAQ — Perguntas frequentes

    1. Lavar as mãos antes de urinar é realmente necessário?
    Sim. As mãos acumulam bactérias ao longo do dia, e tocá-las na região genital sem lavá-las antes pode causar inflamações como a balanopostite (em homens) e infecções urinárias (especialmente em mulheres). O urologista Marcos Arap, do Hospital Sírio-Libanês, recomenda o hábito expressamente.

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    2. Por que as mulheres têm mais risco de infecção urinária do que os homens?
    Porque a uretra feminina é mais curta e fica localizada próxima à vagina e ao ânus, facilitando a entrada de bactérias na bexiga. Isso torna o cuidado com a higiene íntima feminina ainda mais importante.

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    3. E se eu lavar só depois — isso já não basta?
    Lavar depois é essencial, mas não substitui lavar antes. Cada momento cumpre uma função diferente: antes, você protege sua própria região genital; depois, protege as superfícies e pessoas que você vai tocar em seguida.

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    4. Que tipo de sabonete usar na higiene íntima?
    Para a região genital, urologistas e ginecologistas recomendam sabonetes com pH fisiológico, entre 5 e 6. Sabonetes comuns podem alterar o equilíbrio natural da pele e das mucosas, causando irritações. Para as mãos, qualquer sabonete comum já é eficaz.

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    5. Homens que fizeram a cirurgia de fimose precisam de menos cuidado?
    Não necessariamente. A circuncisão (cirurgia de fimose) é considerada um fator de proteção contra o câncer de pênis, segundo o urologista Marcos Arap. Mas os hábitos de higiene e cuidados diários continuam sendo necessários para prevenir inflamações e infecções.