Todo mundo já conheceu alguém que é ansioso demais e isso segundo a Pfizer(empresa farmacêutica multinacional) se dá ao fato de que o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) está entre os dez motivos mais comuns de consultas médica. Empresa ainda afrma que a doença mental atinge cerca de 264 milhões de pessoas no mundo. Em entrevista à Gazeta, o neurologista João Nicole, explicou que um dos sintomas mais comuns de pessoas que sofrem com a ansiedade é o excesso de perfeccionismo. Além disso ele apontou causas, sintomas e como tratar o transtorno.
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O que é TAG?
“O trasntorno de ansiedade é uma resposta emocional natural e adaptativa do ser humano diante de situações percebidas como desafiadoras, ameaçadoras ou incertas. É uma emoção que faz parte da experiência humana e tem um propósito evolutivo, pois ajuda a nos preparar para lidar com possíveis perigos ou desafios”, explicou o neurologista em entrevista à Gazeta.
O médico também confirmou que em níveis fisiológicos, a ansiedade pode ser benéfica, motivando as pessoas a tomar ações e precauções necessárias. Entretanto, quando ela se torna excessiva, persistente e desproporcional à situação real, pode se transformar em outra coisa: um transtorno de ansiedade.
Como o transtorno de ansiedade acontece?
“O transtorno de ansiedade é uma condições em que a ansiedade se manifesta de forma intensa, interferindo significativamente na vida diária e bem-estar da pessoa”, explicou o médico.
Como identificar os sintomas do Transtorno de Ansiedade?
Segundo João Nicole, os transtornos ansiosos são divididos em dois grandes grupos:
- Quadros em que a ansiedade é constante e permanente, tal como a ansiedade generalizada e
- Quadros em que há crises de ansiedade abruptas, mas circunscritas a determinados momentos, tais como as crises de pânico.
O quadro de ansiedade generalizada caracteriza-se pela presença de sintomas ansiosos excessivos, na maior parte dos dias, por um período de tempo prolongado. Além disso, o médico também informou que a pessoa pode apresentar:
- Angustilidade
- Tensionalidade;
- Preocupação excessiva;
- Nervosismo;
- Irritação;
- Perfeccionismo;
- Insônia;
- Dificuldade em relaxar;
- Angústia;
- Procrastinação;
- Cansaço fácil e
- Dificuldade para se concentrar
Além desses sintomas da mente, há outros sintomas fisicos que são apresentados pelo corpo, como:
- Cefaléia;
- Dores ou queimação no estômago;
- Taquicardia;
- Tontura;
- Formigamento e
- Sudorese fria.
“Tais pessoas vivem com a sensação de estar com os nervos à flor da pele. Esses sintomas na grande maioria das vezes causam sofrimento significativo e prejudicam a vida social e ocupacional do indivíduo”, explicou o especialista.
Como lidar com a ansiedade?
O profissional deu dez dicas valiosas para aprender a lidar com a ansiedade, como:
- Busque ajuda profissional: Consulte um profissional de saúde mental para receber um diagnóstico adequado e orientação sobre o tratamento mais adequado para o seu caso.
- Faça exercício físico: A atividade física regular pode ajudar a reduzir os níveis de ansiedade e melhorar o humor, além de proporcionar outros benefícios para a saúde. Estudos mostram que a atividade física ao ar livre e durante o dia podem ser ainda mais eficazes.
- Alimente-se de maneira saudável: Mantenha uma dieta equilibrada, rica em nutrientes, e evite o consumo excessivo de estimulantes, como cafeína, açúcar e aromatizantes.
- Identifique os gatilhos: Tente identificar os eventos ou situações que desencadeiam a ansiedade e desenvolva estratégias para enfrentá-los de maneira saudável.
- Estabeleça rotinas: Ter uma rotina estruturada pode ajudar a reduzir a sensação de incerteza e devolver a sensação de controle sobre nossa própria vida. Quanto mais você se acostumar com uma rotina disciplinada, mais fácil será manter-se comprometido e evitar a ansiedade.
- Torne seus hábitos atraentes: Nosso cérebro rejeita tudo o que não for prazeroso. Por exemplo, se você está tentando se exercitar regularmente, experimente diferentes tipos de exercícios ao longo da semana para encontrar aqueles que você realmente goste.
- Defina metas realistas: Divida seus objetivos em passos menores e mais gerenciáveis. Isso irá ajudá-lo a reduzir a ansiedade, a manter o foco e a motivação ao longo do caminho. Quando criamos metas ambiciosas sem definir bem as etapas necessárias para chegar lá, na primeira adversidade ou resultado ruim, sentimo-nos frustrados.
- Tenha cuidado com sono de má qualidade (ou em pouca quantidade): Essa etapa está diretamente relacionada ao transtorno de ansiedade e depressão. Portanto, tenha horários regulares para dormir e acordar. Programe um despertador e a partir daquele momento inicie sua rotina de sono.
- Ouça músicas relaxantes: Procure playlists de músicas clássicas, piano, chuva ou mantras. Encontre seu gênero preferido.
- Faça alongamento e utilize técnicas de relaxamento: Apartir da respiração, o alongamento auxilia a redução da tensão muscular e diminui a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol, ajudando a reduzir a ansiedade e a melhorar o relaxamento.
O Transtorno de Ansiedade (TAG) tem cura?
“O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e a ansiedade em geral podem ser tratados e gerenciados com sucesso, mas é importante esclarecer que eles não têm uma ‘cura’ definitiva no sentido de que desaparecem completamente e nunca mais voltam”, pontuou o neurologista.
O médico termina dizendo que o objetivo principal do tratamento é ajudar a pessoa a aprender a lidar com a ansiedade de forma saudável e reduzir seus impactos negativos na vida diária. Ele também falou à Gazeta que existem diversas abordagens eficazes para o tratamento da ansiedade, que incluem psicoterapia, medicamentos, mudança do estilo de vida, técnicas de gerenciamento do estresse e suporte social.
“Embora a ansiedade possa diminuir significativamente com o tratamento adequado, é importante reconhecer que algumas pessoas podem ter uma predisposição genética ou outros fatores que as tornam mais propensas a experienciar ansiedade ao longo da vida. Nesses casos, aprender a gerenciar a ansiedade e ter bons profissionais ao lado é fundamental para garantir uma boa qualidade de vida”, finalizou o neurologista João Nicole.
*Assistente de Redação, sob supervisão de Matheus Herbert
