Imagine curtir o melhor do verão em uma das ilhas mais paradisíacas do Brasil sem se preocupar com a famosa “falta de água” nos dias mais quentes.
Esse cenário, que há anos desafia moradores e turistas do litoral norte paulista, está prestes a mudar com uma inovação histórica para o estado.
Ilhabela foi escolhida para abrigar a primeira usina pública de dessalinização de água do mar de São Paulo, uma solução tecnológica que promete transformar a segurança hídrica da região.
Com um investimento robusto de R$ 56,4 milhões, o projeto faz parte da nova fase de expansão do saneamento básico paulista após a desestatização da Sabesp.
O desafio hídrico de Ilhabela no verão
Quem frequenta o arquipélago sabe que a alta temporada traz um aumento explosivo no consumo de água, sobrecarregando os mananciais locais.
Como o município é isolado geograficamente e formado por 14 ilhas e ilhotas, captar água doce em fontes tradicionais é uma tarefa complexa.
A nova usina terá capacidade para produzir 20 litros de água potável por segundo, o que representa um acréscimo de 20% no abastecimento local.
Essa produção contínua vai abastecer bairros que vão desde a região central até o norte da ilha, garantindo torneiras cheias mesmo no pico do turismo.
Como funciona a tecnologia que transforma água do mar em potável?
A tecnologia escolhida para a usina de Ilhabela não é nova no mundo, sendo a grande responsável por abastecer países áridos como Israel e Arábia Saudita.
O segredo do processo atende pelo nome de osmose reversa, um sistema de ultrafiltração de alta tecnologia.
Diferente do tratamento de água convencional que você conhece, o processo de dessalinização segue etapas bem específicas:
- Captação: A água salga ou salobra é extraída diretamente do oceano e direcionada para a usina.
- Pressão e Ultrafiltração: A água é impulsionada com alta pressão contra membranas com poros milimétricos.
- Retenção de Sais: Essas membranas funcionam como barreiras invisíveis, retendo o sal e qualquer impureza microscópica.
- Fluoretação e Cloração: Após a retirada do sal, a água recebe cloro e flúor para garantir sua total segurança.
Ao final, o líquido atende a 100% dos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde, com a mesma qualidade da água de qualquer outra estação.
As grandes vantagens da dessalinização
A principal vantagem de apostar na água do mar é que a usina não fica refém do regime de chuvas ou do nível dos rios locais.
Isso traz uma previsibilidade inédita para o município, criando uma barreira de resiliência contra as crises climáticas e períodos de estiagem prolongada.
Além disso, o custo de implantação desse tipo de estrutura compacta é menor se comparado à construção de grandes represas e redes de transmissão tradicionais.
A previsão é que as obras sejam concluídas em três anos, mudando definitivamente a infraestrutura de turismo e moradia da região.
Quais bairros serão beneficiados pela nova usina?
A estrutura vai cobrir uma linha contínua que atende tanto moradores fixos quanto os veranistas que movimentam a economia local.
A cobertura da nova rede vai beneficiar os seguintes pontos de Ilhabela:
- Eixo Central e Sul: Piúva, Barra Velha, Itaguaçu e Itaquanduba.
- Região Histórica e Arredores: Centro (Vila), Saco da Capela e Engenho D’Água.
- Eixo Norte: Green Park, Reino, Praia Feia, Barreiros, Siriúba, Pedra do Sino e Armação.
