Receita Federal altera formato do CNPJ a partir de julho de 2026

Mudança na estrutura do documento quer evitar o fim das combinações

Emprestar cartão a familiares coloca você na mira da Receita Federal. Foto: Reprodução

Novo formato mistura letras e números / Reprodução

A partir de julho de 2026, os novos registros de CNPJ emitidos no Brasil vão misturar letras e números. A decisão da Receita Federal, publicada na Instrução Normativa 2.229, muda o formato atual para evitar que as combinações numéricas disponíveis acabem por causa do aumento de empresas abertas no país.

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Essa reformulação é considerada a maior mudança estrutural do cadastro desde a sua criação. A medida foi necessária porque o ritmo acelerado de formalizações de negócios no mercado nacional reduziu o tempo de vida útil do sistema atual, que é baseado apenas em algarismos de zero a nove.

Fim das combinações

Os registros antigos continuam funcionando do mesmo jeito e a mudança vale só para novas matrizes e filiais. O documento vai manter os 14 dígitos, mas os oito primeiros blocos e os quatro seguintes aceitarão letras e números, enquanto os dois últimos continuam apenas numéricos.

A transição acontece porque o país passou de 64 milhões de CNPJs em março de 2025, uma alta de 7%. A Receita Federal calcula que o modelo atual duraria só entre quatro anos e meio e seis anos, mas o padrão alfanumérico aumenta as opções de um trilhão para 36 trilhões.

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Apesar do alto número de registros históricos, o monitoramento oficial mostra que só 38% das empresas continuam ativas, somando 25 milhões. O restante do banco de dados traz negócios fechados ou com pendências cadastrais, situação que afeta mais de 6 milhões de inscrições.

A força dos MEIs

Os microempreendedores individuais (MEI) e as pequenas empresas aceleraram essa mudança, somando quase 24 milhões de cadastros ativos. Esse grupo responde pela maior parte das aberturas anuais, o que exige que o empreendedor conheça bem as regras vigentes e saiba qual tipo de registro empresarial se encaixa melhor no perfil do seu negócio.

O perfil dos microempreendedores revela equilíbrio de gênero, com mulheres na metade dos negócios, além de forte presença de negros e jovens até 29 anos. Muitos trabalham em casa e um terço está em programas sociais, mostrando a formalização como uma saída para gerar renda.

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A manutenção desses cadastros também exige o cumprimento rigoroso de obrigações fiscais periódicas. Os empreendedores que deixam de pagar os tributos obrigatórios correm o risco de enfrentar penalidades severas, já que a inadimplência com os cofres públicos gera a exclusão automática de benefícios tributários.

Concentração nos estados

A distribuição das empresas mostra diferenças entre as regiões, com São Paulo liderando isoladamente ao concentrar 30% das aberturas e 6,9 milhões de pequenos negócios ativos. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 2,5 milhões de registros, e o Rio de Janeiro, com dois milhões de cadastros.

Santa Catarina e Paraná também se destacam na densidade de empresas ativas por habitante. Na outra ponta, os menores volumes de negócios em atividade estão concentrados em estados como Maranhão, Pará, Amazonas, Acre, Amapá e Roraima, abaixo da média nacional.

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Segurança dos sistemas

A Receita Federal informou que a mudança busca melhorar o ambiente de negócios e já oferece um simulador para desenvolvedores testarem a estrutura. O formato exige atenção técnica para que os sistemas antigos consigam ler os novos caracteres sem falhas de digitação.

O especialista em segurança digital Domingo Montanaro alerta que aceitar letras e números exige mecanismos de validação para evitar invasões. Segundo ele, as organizações precisam reforçar a checagem das informações digitadas pelos usuários para impedir dados nocivos nos sistemas.