DKW: o primeiro carro fabricado no Brasil que ajudou a construir a indústria automobilística nacional

O nascimento de um pioneiro da indústria nacional

História do DKW

O modelo ficou conhecido pelo motor de dois tempos e pelo som característico nas ruas. / Reprodução: Wikipédia

 

O DKW-Vemag ocupa um lugar especial na história brasileira por ter sido um dos grandes pioneiros da indústria automobilística nacional.

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Produzido pela Vemag (Veículos e Máquinas Agrícolas S.A.), empresa de capital nacional, o modelo começou a ser fabricado em 1956 e apresentou aos brasileiros soluções técnicas pouco comuns para a época, como a tração dianteira e o motor de dois tempos com três cilindros.

Em um mercado dominado por veículos importados e modelos inspirados nos automóveis norte-americanos, o DKW trouxe uma proposta inovadora e ajudou a consolidar a produção nacional de automóveis.

A fabricação teve início em 19 de novembro de 1956, na fábrica da Vemag localizada na Vila Carioca, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

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O primeiro modelo produzido foi a camioneta DKW F-91 Universal, que já contava com cerca de 60% de componentes fabricados no Brasil.

Embora existam debates sobre qual teria sido o primeiro carro nacional, o DKW-Vemag é amplamente reconhecido como o primeiro automóvel produzido em série no país e o primeiro sedã de quatro portas fabricado em território brasileiro.

O motor de dois tempos que se tornou sua marca registrada

Um dos aspectos mais curiosos do DKW-Vemag era seu conjunto mecânico.

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O carro utilizava um motor de dois tempos e três cilindros em linha, inicialmente com 900 cm³ de cilindrada.

Em 1959, o propulsor passou a ter 981 cm³, ficando conhecido popularmente como “motor mil”.

Ao contrário dos motores convencionais, o sistema não possuía cárter para lubrificação.

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O óleo era misturado diretamente à gasolina, o que resultava na famosa fumaça azulada saindo pelo escapamento.

Essa característica acabou se transformando em um dos símbolos do modelo e até hoje é lembrada pelos colecionadores, que apelidaram seus encontros de Blue Cloud, uma referência à nuvem azul produzida pelo veículo.

Além disso, a mecânica simplificada dispensava diversas peças presentes nos motores de quatro tempos, tornando o conjunto mais leve.

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A própria Vemag explorava essa vantagem em suas campanhas publicitárias, afirmando que o desempenho de um motor dois tempos de três cilindros poderia ser comparado ao de um seis cilindros convencional.

Para a época, o desempenho era considerado satisfatório, com velocidade máxima próxima dos 120 km/h.

As famosas portas “suicidas” que chamavam atenção nas ruas

Outro detalhe que tornou o DKW-Vemag inesquecível foi o sistema de abertura das portas dianteiras.

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Diferentemente da maioria dos automóveis, elas se abriam da frente para trás, configuração que ficou conhecida internacionalmente como portas suicidas.

No Brasil, o sistema ganhou um apelido bem-humorado: portas “DeChaVê”, uma brincadeira com a expressão “deixa ver”.

O nome se popularizou rapidamente e passou a fazer parte do imaginário dos motoristas da época.

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Apesar do charme e da originalidade, a solução foi abandonada em 1964 por questões de segurança.

Os modelos produzidos a partir desse período passaram a utilizar o sistema convencional de abertura, acompanhando uma tendência já adotada pela indústria automobilística mundial.

Vemaguet, Belcar e outros modelos que marcaram época

Ao longo de sua trajetória, a Vemag desenvolveu diferentes versões derivadas da plataforma DKW.

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Entre elas, uma das mais conhecidas foi a Vemaguet, perua que conquistou espaço entre famílias e profissionais que precisavam de maior capacidade de carga.

Em 1963 surgiu a Caiçara, uma versão simplificada e mais acessível da Vemaguet.

Dois anos depois, ela deu lugar à Pracinha, que trouxe algumas atualizações visuais e estruturais.

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Somadas, as diferentes versões da Vemaguet alcançaram mais de 55 mil unidades produzidas.

A empresa também lançou modelos importantes como o Belcar, o elegante Fissore, o utilitário Candango e a Série Rio.

Essa diversidade ajudou a consolidar a presença da marca no mercado brasileiro durante a década de 1960.

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Um legado que permanece vivo entre colecionadores

A produção dos veículos DKW-Vemag chegou ao fim em dezembro de 1967, após a aquisição da empresa pela Volkswagen do Brasil.

Com isso, encerrou-se também a fabricação dos motores de dois tempos, tecnologia que já começava a perder espaço em diversos mercados ao redor do mundo.

Durante seus 11 anos de atividade, a Vemag produziu cerca de 115 mil veículos, número expressivo para uma indústria que ainda dava seus primeiros passos no Brasil.

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Mesmo décadas após o encerramento da fabricação, milhares de exemplares continuam registrados e preservados por entusiastas.

O legado do DKW-Vemag vai muito além dos números.

O modelo ajudou a desenvolver fornecedores nacionais, estimulou a formação de mão de obra especializada e abriu caminho para o crescimento da indústria automobilística brasileira.

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Além disso, serviu de base para esportivos nacionais que se tornariam lendários, como os primeiros modelos da Puma.

Hoje, a antiga fábrica da Vila Carioca permanece como uma lembrança física desse importante capítulo da história industrial do País.

Mais do que um automóvel, o DKW-Vemag representa o início de uma transformação que colocou o Brasil definitivamente no mapa da produção automobilística mundial.