Edna de Moraes trabalha como cobradora de ônibus em Curitiba e passa o expediente de olho no movimento do ponto. Num desses dias, a atenção dela foi parar no mato perto da rua, onde um casal procurava alguma coisa. Era um filhote de urubu, e o que Edna fez depois virou uma rotina de quase três meses.
Ela não tinha ideia do que estava prestes a encontrar. Foi até o local e viu uma ave que descreveu como “branca, com bico preto, muito bonita”. Edna admitiu que não sabia de que bicho se tratava.
Uma ave sem nome
O animal era um urubu-de-cabeça-preta, ainda bem pequeno, longe da imagem escura e de cabeça pelada que a maioria das pessoas associa à espécie. Foi essa diferença que deixou a cobradora sem pistas sobre o que tinha diante de si.
Mesmo sem saber, ela decidiu não deixar a ave por conta própria. A partir daquele dia, passou a procurar o filhote com frequência.
Carne crua e água todo dia
A tarefa era simples e exigia disciplina. Todos os dias, Edna levava carne crua e água até o animal. Assim, conseguiu acompanhar cada fase do desenvolvimento da ave, das primeiras semanas até o momento em que ela começa a ganhar autonomia.
O cuidado se estendeu por quase três meses, sempre no mesmo ritmo e sem pausas.
A contagem até o voo
Com o tempo, Edna também foi atrás de informações sobre a espécie. Ela contou que descobriu que, por volta das 11 semanas de vida, o filhote deve voar. Por isso, o plano era continuar alimentando a ave até esse ponto, para que ela seguisse para a natureza.
De fato, pelo o que se sabe sobre a espécie, os filhotes de urubu costumam permanecer de dois a três meses no ninho, até desenvolverem as penas e aprenderem a voar.
O que a lei diz sobre os urubus
Quem encontra um filhote assim precisa saber que os urubus são aves silvestres protegidas. Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, o filhote depende da mãe nos primeiros três meses e só deixa o ninho quando consegue voar. Por isso, a orientação do órgão é não remover ninhos nem mexer na estrutura.
Os urubus também têm um papel na cidade. Ao se alimentarem de animais mortos e de lixo, funcionam como os “faxineiros” do ambiente, segundo a mesma secretaria.
No caso de Edna, o que ficou foi o hábito. Entre um ponto e outro do trajeto, havia um pacote de carne e uma garrafa de água esperando para ser levada a uma ave que ela nem sabia nomear quando a viu pela primeira vez.






