Uma tempestade solar pode atingir a Terra a partir deste sábado (7/11), segundo o monitoramento da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O fenômeno pode provocar alterações no campo magnético terrestre e interferências em sistemas de comunicação, principalmente nas transmissões de rádio.
A previsão indica uma tempestade geomagnética de intensidade baixa, classificada como G1. Caso a atividade solar aumente e o fenômeno alcance a categoria G2, podem ocorrer impactos maiores em equipamentos que estão em órbita baixa e alterações na propagação de sinais de rádio.
Apesar da possibilidade de interferências, os dados disponíveis não apontam para um apagão generalizado no Brasil ou para uma interrupção das redes de telefonia celular. Os principais efeitos previstos estão relacionados a sistemas de navegação, comunicação por rádio e operações que dependem de equipamentos espaciais.
O que provoca uma tempestade solar
As tempestades geomagnéticas estão associadas principalmente à chegada de uma corrente de vento solar de alta velocidade. Esse fluxo é formado por partículas carregadas que são lançadas pelo Sol e viajam pelo espaço.
Uma das fontes desse material são os chamados buracos coronais, regiões da atmosfera solar onde a configuração do campo magnético permite que partículas escapem com maior facilidade.
Quando esse fluxo alcança a Terra, ele interage com o campo magnético do planeta e pode provocar uma tempestade geomagnética. A intensidade do fenômeno depende de fatores como a velocidade do vento solar e a orientação do campo magnético que o acompanha.
A NOAA também monitora uma ejeção de massa coronal registrada em 1º de novembro. Esse tipo de evento ocorre quando uma grande quantidade de material solar é lançada ao espaço. No entanto, para o período analisado, a corrente de vento solar era considerada o principal fator de atenção.
Rádio, navegação e outros sistemas podem ser afetados
As tempestades geomagnéticas podem interferir na propagação de ondas de rádio e provocar alterações na atmosfera superior. Em uma ocorrência de categoria G1, os efeitos costumam ser limitados, mas operadores de satélites e outros sistemas espaciais precisam acompanhar as condições.
Se a atividade chegar à categoria G2, podem ocorrer alterações no arrasto atmosférico sobre equipamentos em órbita baixa, exigindo ajustes nas operações. Também podem ser registradas mudanças na propagação de sinais de rádio usados em sistemas de navegação.
A previsão não indica, porém, uma interrupção generalizada dos sistemas de localização ou das redes móveis. Para usuários de celulares, o boletim não aponta danos diretos aos aparelhos nem recomenda desligá-los.
Outro ponto de atenção são as explosões solares. O monitoramento identificou duas erupções de classe C, consideradas de menor intensidade. Uma delas ocorreu na região ativa AR4344, que apresenta uma configuração magnética complexa.
Para esta sexta-feira (6/11) e sábado (7/11), havia uma probabilidade de 35% para eventos das classes R1 ou R2, associados a possíveis apagões de rádio em determinadas regiões do planeta. A chance de um evento R3 era estimada em 10%.
Esses eventos estão relacionados principalmente às comunicações por rádio e não representam uma previsão de interrupção da telefonia celular.
Brasil pode sentir os efeitos?
Os impactos de uma tempestade geomagnética variam de acordo com a intensidade do fenômeno e a região atingida. Áreas próximas aos polos magnéticos costumam ser mais sensíveis, com possíveis efeitos sobre sistemas elétricos e operações espaciais.
No Brasil, a previsão disponível não indica apagões generalizados de energia ou interrupções de serviços. Mesmo assim, sistemas que dependem de navegação por satélite e radiocomunicação podem apresentar alterações e devem ser monitorados.
Outro possível efeito é o aumento da ocorrência de auroras em regiões onde normalmente esses fenômenos são menos comuns. As auroras acontecem quando partículas energéticas interagem com a atmosfera terrestre.
O Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA acompanha continuamente as condições do vento solar e do campo magnético que chega à Terra. As previsões podem ser atualizadas conforme novos dados sobre a atividade do Sol sejam registrados.
Por isso, apesar da possibilidade de interferências pontuais, os dados atuais não indicam um cenário de grandes impactos para a população brasileira. A intensidade da tempestade e seus efeitos dependerão da evolução da atividade solar nos próximos dias.
