A menopausa chega, em média, justamente na década em que muitas mulheres estão no auge da carreira: entre os 45 e os 55 anos, período de maior senioridade, responsabilidade e, muitas vezes, também de maior pressão profissional. Ainda assim, é um dos assuntos menos discutidos nos ambientes corporativos brasileiros. Fala-se pouco sobre os sintomas, menos ainda sobre o impacto deles na rotina de trabalho, como insônia, ondas de calor e dificuldade de concentração, e quase nunca sobre as políticas que apoiem essa fase.
Esse silêncio tem um custo real, mensurável: afeta produtividade, saúde mental, engajamento e retenção de talentos femininos justamente no momento em que essas mulheres têm mais experiência a oferecer.
Pesquisas internacionais mostram mulheres deixando cargos de liderança, ou até o mercado de trabalho, por falta de suporte nesse período e, mesmo assim, seguimos tratando o tema como assunto de foro íntimo, quase constrangedor de se mencionar em uma reunião.
E é justamente nesse contexto que o Dia Mundial da Menopausa, celebrado em 18 de outubro, ganha ainda mais relevância. Mais do que uma data de conscientização, é uma oportunidade para ampliar o diálogo, combater preconceitos e reconhecer que essa fase da vida também precisa ser considerada nas discussões sobre saúde, bem-estar e desenvolvimento profissional.
Afinal, falar sobre menopausa é também falar sobre a valorização da experiência feminina e sobre a construção de ambientes em que as mulheres possam continuar crescendo e ocupando espaços de liderança em todas as etapas da carreira. É reconhecer essa transição não como um tabu, mas como parte natural e esperada de uma trajetória de vida e, portanto, de carreira.
Isso passa por ações concretas como políticas de RH que reconheçam a menopausa como parte do ciclo profissional, capacitação de gestores para lidar com o tema com naturalidade e, sobretudo, um ambiente em que a mulher não precise esconder o que está vivendo para continuar sendo vista como competente.
Não é sobre tratamento especial, mas sim sobre não penalizar uma fase da vida que, mais cedo ou mais tarde, atravessa metade da força de trabalho. Se queremos falar a sério sobre longevidade feminina e sobre reter e valorizar mulheres seniores no mercado de trabalho, precisamos parar de tratar a menopausa como um parêntese silencioso. Ela merece política, merece espaço de conversa e merece, sobretudo, deixar de ser motivo de constrangimento.
