A convocação mais aguardada, ao menos dos últimos 20 anos, enfim aconteceu e deu fim a uma das novelas do ciclo pré-Copa: a ida de Neymar para o Mundial de 2026.
Antes de mais nada, todo este debate sobre a convocação ou não do maior jogador brasileiro desde Ronaldo Fenômeno é sintomático para ambas as partes. Da parte do camisa 10, é triste saber que ele precisou de tanta comoção para uma vaga que, em condições normais, deveria já ser dele, caso tivesse cuidado melhor de sua carreira.
De outro lado, mostra que o Brasil, mesmo criticando tanto Neymar em praticamente toda a carreira e em todas as decisões, não conseguiu, nem de longe, um jogador tão adaptado à Seleção quanto ele.
Maior artilheiro da história do País, ele nunca deixou de entregar tudo que podia e ser o melhor jogador da Amarelinha sempre que entrava em campo. Agora, ainda que o 100% dele não seja mais o mesmo de antes, ainda assim, parece ser maior que o de todos os demais.
Na minha própria lista, havia 25 nomes que mereciam a Copa, e, com uma vaga sobrando, ela naturalmente ficou com Neymar. Resta acreditar na magia e considerar que, na dúvida, a saída é confiar no melhor jogador que temos (ou o melhor que um dia já tivemos no auge).
Acho muito plausível a teoria de que Ancelotti, na verdade, sempre quis convocar Neymar. Contudo, “provocou” o jogador para que ele tivesse seu melhor nível mostrado antes do Mundial.
Quanto aos demais nomes, o comandante italiano errou ao convocar Léo Pereira, do Flamengo. Falou tanto de “experiência”, mas deixou Thiago Silva, um dos maiores zagueiros da história do futebol, para um concorrente da posição que não está em alta no momento da lista final.
Weverton e Ederson foram mais pela experiência do que por qualidade atual. Um dos dois nomes se justificaria, mas algum deles deveria ter dado a vaga para alguém com um desempenho melhor. Se não fosse para chamar Hugo Souza nem Bento, que passam por altos e baixos, John (ex-Botafogo e atualmente no Nottingham Forest-ING) e Luiz Júnior (do Villarreal) poderiam ser chamados.
Contudo, na vaga do gol, dois nomes mereciam mais atenção: Fábio (do Fluminense) e Éverson (Atlético-MG).
Os laterais estão escassos, mas também acredito que levar Danilo e Alex Sandro, só pela experiência, não se justifica. Porém, como a qualidade dos oponentes não está tão alta, é difícil escolher outros dois. Ainda assim, Luciano Juba (Bahia) e Carlos Augusto (Inter de Milão) mereciam oportunidade na esquerda, enquanto Ibanez, convocado como zagueiro mas que faz a lateral-direita, poderia suprir Danilo e abrir vaga para mais um meio-campista. Paquetá, entre os flamenguistas convocados faz por merecer a aposta, visto que é um jogador em uma posição carente de opções.
No mais, Ancelotti aposta na experiência misturada com o talento para buscar o hexacampeonato. Ele tem títulos no currículo e demonstra capacidade de saber o que fazer em momentos de pressão.
