Estava escrito nas estrelas e ninguém precisava ter telescópio para enxergar que os casos de Covid-19 iriam disparar neste fim de ano. Parte pelo desleixo da população em achar que a estabilidade que alcançamos nos dava o aval para sair por aí aglomerando e esquecendo as normas sanitárias, mas muito também graças às campanhas eleitorais Brasil afora.
No comércio somente é permitida a entrada após aferição da temperatura e só pode retirar a máscara ao sentar à mesa. Na campanha, era abraço, aperto de mão e, claro, selfie sem máscara. E isso de candidato de direita de esquerda, de conservadores e de progressistas. Eventos com mais de 100 pessoas estão proibidos, porém reunião para apoiar o candidato tinha gente sentada, em pé e todo mundo muito junto e misturado. Aglomerar, afinal, faz parte da democracia, mesmo durante uma crise sanitária que vem destruindo famílias e sonhos há muitos meses.
Se junte a isso os governantes criarem um certo clima de que está tudo sob controle e chegamos assim ao resultado de início de dezembro: um salto nas internações, casos e mortes por Covid-19. O Brasil registrou na quinta-feira 848 mortes pela doença em 24 horas, maior número de óbitos desde o dia 12 de novembro e um aumento de 34% em relação à média de 14 dias atrás.
São Paulo, o estado com maior número de casos e mortes, está registrando aumento de internações e falta de vagas de UTI em hospitais públicos e particulares. Durante a última semana, milhares de consumidores foram às ruas de comércio no centro para anteciparem as compras de Natal. E o desleixo se repetiu. Muita gente junto, usando a máscara de um jeito errado ou sequer usando. Caos. Há também as festas clandestinas, bailes e até raves acontecendo pelo menos desde outubro. Depois de fazer vistas grossas, e dos casos e internações dispararem, João Doria anunciou na sexta-feira que vai aumentar a fiscalização, reduzir horário de funcionamento de bares e ampliar o de comércio.
O ano de 2020 está acabando, porém a pandemia não. Apesar de efusivos anúncios, a vacina não chegou e o vírus continua circulando, contaminando e matando pessoas. A percepção que se tem agora é que mais gente está ficando doente, mais perto de nós. Infelizmente não temos muitos motivos ainda para comemorar, e é preciso ter responsabilidade e se privar de pequenos prazeres para preservar a vida.
