Ministério Público de SP pede 400 novos promotores

A decisão depende da Alesp, onde tramita projeto de lei encaminhado pelo procurador-geral de Justiça Gianpaolo Smanio Por Folhapress De São Paulo

O Ministério Público de São Paulo pode ser autorizado a contratar mais 400 promotores nos próximos anos – o que representaria um aumento de 20% do quadro atual de membros ativos no estado.

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A decisão depende da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), onde tramita projeto de lei encaminhado pelo procurador-geral de Justiça Gianpaolo Smanio.

A proposta estava na pauta da reunião de líderes de bancada do Legislativo desta quarta-feira (5) para decidir quais projetos vão a plenário. Por ora, não houve acordo que garantisse a votação.

Na terça-feira (4), os deputados estaduais aprovaram projeto de lei que autorizava a contratação de outros 320 servidores do Ministério Público, como oficiais e analistas de promotoria.

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A lei, agora, segue para o gabinete do governador Márcio França (PSB), que poderá sancioná-la ou vetá-la. “Os referidos projetos ainda não foram encaminhados ao Executivo. Assim que forem enviados, serão avaliados pelas áreas técnicas do Governo”, afirmou o Bandeirantes

O Ministério Público não detalhou o impacto dessas futuras contratações ao apresentar essas duas propostas de lei.

Tampouco há qualquer informação pública no Legislativo sobre a previsão orçamentária para o aumento desse efetivo. O relatório da Comissão de Finanças, favorável ao projeto, também não traz informações sobre o custo dessas contratações.

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A reportagem apurou que estimativas internas do governo Márcio França apontam que esses 720 novos postos no Ministério Público vão custar R$ 218 milhões por ano. Desse valor, R$ 28 milhões serão destinados para os salários dos assessores de promotoria e R$ 190 milhões para os vencimentos de novos promotores.

“Esse cálculo deverá ser apresentado, se e quando, esses cargos vierem a ser preenchidos”, afirmou à reportagem a assessoria de imprensa do Ministério Público de São Paulo.

O órgão afirmou que não há prazo definido para contratar esses novos servidores.

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“A aprovação da lei significa, num primeiro momento, apenas a ampliação do banco de cargos, sendo certo que o efetivo impacto no orçamento só ocorrerá, em momento futuro, quando da nomeação e posse de novos servidores”, escreveu o diretor-geral da instituição, Ricardo de Barros Leonel sobre a criação do 320 cargos de assessoria.

Sobre a criação de mais 400 vagas de promotores no estado, Smanio argumentou no texto enviado à Alesp: “A aprovação do presente projeto, e a edição da correspondente lei complementar não implicará qualquer impacto orçamentário imediato”.

Smanio justificou o pedido relatando a escassez de promotores diante da criação de novas varas judiciais nos últimos anos, além da necessidade de expansão da Promotoria. Também afirmou que a criação dos cargos “não significa sua imediata nomenclaturação”, que, segundo ele, será acompanhada por “prévios estudos e critérios objetivos”.

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A falta de estrutura para investigar e propor ações do Ministério Público de São Paulo ficou mais evidente depois de os promotores receberem alguns casos Lava Jato e formarem uma força-tarefa.

A ideia era replicar em São Paulo, numa escala menor, o modo de trabalho da operação em Curitiba. Promotores em São Paulo receberam 30 casos derivados da Lava Jato.

O plano original dos promotores era ter uma estrutura com pelo menos dez analistas de promotoria, para auxiliar no trabalho mais burocrático para que eles se concentrassem na investigação.

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Também requisitaram outros dois promotores; atualmente são dez no setor de Patrimônio Público. Em vez de dez analistas, vieram dois, uma das quais estava grávida e tirou licença maternidade. Nenhum promotor foi enviado para a força-tarefa.

Os promotores avaliam que não houve apoio da Procuradoria-Geral de Justiça à investigação na área de Patrimônio Público.

Advogados que acompanharam clientes acusados na Lava Jato em Curitiba dizem que é impressionante a falta de estrutura no Ministério Público de São Paulo quando se compara a estrutura com a de Curitiba.

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Um desses advogados disse à reportagem, sob condição e anonimato, que não havia nem pessoal nem recursos para a investigação. Outro advogado afirmou à reportagem que a estrutura da Promotoria em São Paulo é franciscana, algo que não funciona em investigação, muito menos em força-tarefa.