Câmara Municipal aprova projeto de Covas para reforma da previdência de SP

O texto, que já havia sido aprovado em primeira votação na última sexta (21), teve 33 votos a favor e 17 contra. Ele precisava de 28 votos para ser aprovado e vai agora para a sanção de Bruno Covas Por Folhapress De São Paulo

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta quarta-feira (26), em segunda votação, a reforma da previdência dos servidores municipais, uma das principais bandeiras do prefeito Bruno Covas (PSDB) para conter gastos com aposentadorias nos próximos anos.

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O texto, que já havia sido aprovado em primeira votação na última sexta (21), teve 33 votos a favor e 17 contra. Ele precisava de 28 votos para ser aprovado e vai agora para a sanção de Covas.

Momentos antes da votação, houve confusão e confronto entre servidores e guardas municipais, e um dos portões de acesso à Câmara foi quebrado.

Os agentes usaram bombas de efeito moral contra manifestantes, que jogaram lixo, pedras e garrafas de vidro contra os guardas e o prédio do Legislativo municipal. Em nota, a assessoria de imprensa da Presidência da Câmara afirmou que a Guarda Civil Municipal apenas reagiu aos manifestantes.

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A aprovação da reforma já havia sido tentada por João Doria (PSDB) antes de ele sair do cargo para disputar a eleição ao governo paulista, mas sem sucesso – na ocasião, protestos de milhares de servidores levaram ao adiamento da discussão. Fernando Haddad (PT) também tentou discutir esse tema, mas acabou desistindo em meio à pressão do funcionalismo.

A proposta aprovada eleva a alíquota de 11% para 14% para os servidores e estabelece um sistema complementar para quem ganha acima do teto de aposentadoria (R$ 5.645,80) do INSS.

A previdência dos servidores na capital paulista tem um déficit estimado atualmente em R$ 6 bilhões – e que cresce cerca de R$ 700 milhões a cada ano.

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Ao assumir a prefeitura, em abril, Covas disse que, sem a reforma, impostos teriam que ser aumentados.

O projeto aprovado pela Câmara deve gerar um aumento de recursos de R$ 370 milhões anualmente devido ao aumento da alíquota dos servidores. No entanto, não deve levar à eliminação do déficit no curto prazo.

Na reta final para a aprovação do texto na Câmara, Covas fez uma mudança no modelo de financiamento que abrandou parte do projeto. Com isso, membros da prefeitura admitem extraoficialmente que a reforma da previdência dará um respiro no curto prazo, mas será insuficiente no longo prazo.

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Pelo sistema atual, de repartição simples, os trabalhadores da ativa custeiam os benefícios de aposentados atuais.
O plano original do tucano era adotar um sistema de capitalização para os novos funcionários públicos, no qual cada um teria uma conta individual, para que a previdência fosse autossustentável no futuro, sem depender da contribuição de outros servidores.

Na prática, a mudança evitaria a necessidade de complementação de verba do poder público no futuro. Mas a gestão Covas avaliou que o custo de transição de um regime para outro seria muito alto, e que os efeitos de resolução do déficit seriam incertos.

O déficit, pelo projeto original, pararia de crescer em 2025, atingindo um ponto de equilíbrio – e só acabaria em 2092, quando não haveria mais funcionários nesse sistema.

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Com a proposta mais branda, porém, sem a reestruturação do sistema, não haverá um equacionamento natural do déficit.

A gestão Covas foi criticada por representantes de servidores por marcar as votações para datas próximas às festas de fim de ano. Para eles, foi uma tentativa de desmobilizar a categoria, que reuniu mais de 30 mil manifestantes em frente à Câmara em março, quando a proposta acabou adiada pelos vereadores.

A prefeitura vinha dizendo que os recursos municipais estão presos a gastos obrigatórios, sem margem para investimentos, reforçando a necessidade da reforma previdenciária.

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Na semana passada, Covas chegou a enviar um substitutivo ao texto prevendo a possibilidade de usar recursos advindos de privatizações para a cobertura do rombo da previdência municipal.

A medida contrariava promessa de Doria, que prometia destinar dinheiro das desestatizações em investimentos sociais, e acabou sendo retirada pela própria base aliada de Covas.

Os recursos liberados pela reforma devem ser usados para cobrir o buraco dos gastos na saúde municipal. Nos próximos anos, pouco deve sobrar para investir em novas obras – a atual gestão se concentra em acabar as deixadas pela gestão de Fernando Haddad (PT).