Entre leitores que carregavam seus livros e aguardavam a oportunidade de encontrá-lo, Junior Rostirola vive uma semana movimentada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Autor de Café com Deus Pai, na segunda-feira, recebeu o público no estande dedicado à coleção e falou à Gazeta sobre o alcance de uma obra que nasceu com uma proposta simples: reservar alguns minutos do dia para a leitura e a reflexão.
“Eu gosto muito de estar perto do público, então está sendo realmente muito gostoso”, afirmou o escritor.
A proximidade com os leitores marcou a participação de Rostirola na edição de 2026 do evento, realizada no Distrito Anhembi, na zona norte de São Paulo. O movimento diante do estande ajuda a dimensionar o sucesso da coleção, que deixou o segmento religioso para ocupar as principais listas de vendas do mercado editorial brasileiro.
Além das sessões de dedicatórias, o autor participou da programação oficial da Bienal e apresentou o sétimo volume de Café com Deus Pai. Intitulado Porções Diárias de Restauração, o livro reúne 365 mensagens inéditas e foi preparado para acompanhar os leitores ao longo de 2027.
Dez milhões de exemplares
Ao recordar o primeiro volume, Rostirola contou que acreditava no potencial do projeto desde o início. Ainda assim, as dimensões alcançadas pela coleção superaram o que ele havia imaginado.
“Quando Deus colocou esse livro no meu coração, já falou para mim que ele seria um best-seller, que realmente atingiria muitas vidas”, disse. “Eu estava com uma expectativa, claro, mas não com a expectativa daquilo que aconteceu, porque superou.”
Segundo dados divulgados pela Editora Vélos, a coleção “Café com Deus Pai” já vendeu 10 milhões de exemplares. O número considera o conjunto dos volumes publicados e coloca a obra entre os maiores sucessos recentes da literatura religiosa brasileira.
O desempenho também aparece nas listas de mais vendidos. As edições da coleção ocuparam posições de destaque nos rankings nacionais em anos consecutivos. Em 2025, Café com Deus Pai 2026 estreou na lista Nielsen-PublishNews de não ficção, conforme registrou o PublishNews.
O sucesso também atravessou as fronteiras brasileiras. De acordo com o escritor, o livro foi traduzido para sete idiomas e chegou a leitores da Europa, dos Estados Unidos e de países da América Latina. A expansão internacional fez com que a proposta criada em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, alcançasse públicos de diferentes culturas.
Apesar dos números, das traduções e das filas formadas na Bienal, Rostirola atribui o resultado à mensagem religiosa transmitida pelas publicações.
“Não é sobre um livro, não é sobre o autor. É sobre um Deus que pode todas as coisas. Eu não seria tão bom assim para escrever um livro e vender tantos”, declarou.
O novo volume preserva uma das principais características da coleção: oferecer uma leitura para cada dia do ano. Desta vez, as mensagens abordam restauração, fé, relacionamentos, família e a possibilidade de recomeçar depois de períodos difíceis.
Quem é Junior Rostirola
Nascido e criado em Itajaí, Junior Rostirola cresceu em uma família marcada pelo alcoolismo, pela violência doméstica e pela ausência afetiva do pai. Segundo o autor, ele nunca recebeu um abraço do pai nem ouviu dele uma demonstração de amor. Na escola, também enfrentou episódios frequentes de bullying.
Essas experiências afetaram sua autoestima e a maneira como se relacionava com outras pessoas. Aos 13 anos, Junior abandonou os estudos e passou a permanecer grande parte do tempo trancado no quarto.
A leitura, o estudo e a espiritualidade o ajudaram a compreender e reconstruir a própria história. Anos depois, ele transformou parte desse processo em literatura.

Em Encontrei um Pai, livro autobiográfico, Rostirola aborda as marcas deixadas pela rejeição paterna, os traumas da infância e o caminho percorrido para reconstruir sua identidade. A trajetória pessoal ajuda a compreender a presença de temas como acolhimento, fé e recomeço em “Café com Deus Pai”.
Atualmente, além de escritor, Junior é bacharel em Teologia e pós-graduado em Teologia Bíblica. Ele também fundou o Instituto Junior Rostirola, responsável por projetos sociais voltados a crianças, adolescentes, mulheres em recuperação e famílias de baixa renda.
Saúde emocional e fé
Durante a entrevista à Gazeta, a trajetória de Rostirola ganhou espaço quando a conversa chegou ao Setembro Amarelo, campanha dedicada à prevenção do suicídio e à valorização da vida. Questionado sobre o papel da fé ao lado do acompanhamento psicológico e profissional, ele retomou as experiências que atravessaram sua infância e adolescência.
“A fé em Deus foi fundamental. Foi a fé em Deus que me tirou de uma depressão“, afirmou.
O escritor contou que os problemas familiares, os episódios de violência e o bullying sofrido na escola contribuíram para que ele se isolasse ainda muito jovem.
“Eu me tornei uma criança introvertida e, por ser introvertido na escola, sofri muito bullying. Aos 13 anos, abandonei a escola e fiquei trancado no meu quarto”, relatou.
De acordo com Rostirola, a espiritualidade abriu um caminho para que ele começasse a lidar com as marcas daquele período.
“Foi em um relacionamento íntimo com Deus, confiando e tendo essa fé, que eu consegui superar. Deus foi curando todos os meus traumas e as minhas feridas”, disse.
Hoje, o autor procura transformar a experiência pessoal em acolhimento para outras pessoas. Os temas aparecem nos livros, nas mensagens diárias e nos projetos sociais que mantém.
“Estou aqui ajudando pessoas a encontrar o mesmo caminho que eu encontrei, a ter esse relacionamento com Deus, nosso Criador, para realmente viver os propósitos para os quais nasceram”, declarou.
Ao falar publicamente sobre o passado, Rostirola também incentiva outras pessoas a não permanecerem em silêncio diante do sofrimento e a procurarem apoio. Seu relato aproxima a mensagem de “Café com Deus Pai” da própria trajetória do autor: antes de chegarem aos livros, os temas da fé, da restauração e do recomeço atravessaram sua vida.
Filas diante do autor
A passagem pela Bienal levou esse contato para além das páginas e das plataformas digitais. Entre fotografias, dedicatórias e conversas rápidas, Rostirola encontrou pessoalmente parte do público que acompanha seus textos todos os dias.
As filas diante do estande deram uma dimensão concreta aos 10 milhões de exemplares vendidos. Cada leitor chegava com uma relação particular com a obra, construída ao longo das mensagens lidas diariamente, dos trechos compartilhados nas redes sociais e das edições anteriores guardadas em casa.

Para Junior, o resultado não deve ser medido apenas pela quantidade de livros comercializados, mas também pelas histórias de pessoas que encontraram nas mensagens uma forma de atravessar períodos difíceis.
O novo volume reforça a proposta que transformou Café com Deus Pai em uma leitura contínua. Em vez de encerrar a experiência na última página, cada edição procura acompanhar um ano inteiro da vida do leitor. Na Bienal de 2026, o tamanho desse sucesso apareceu diante do autor em filas, agradecimentos e exemplares levados para receber uma nova dedicatória.









