Ex-professor de Zuckerberg diz que viu problema ao ser apresentado ao protótipo do Facebook

Sobre a privacidade dos usuários, Lewis afirma que viu o projeto do Facebook com alguma preocupação em relação ao tópico já em seu início, quando Zuckerberg, ainda estudante, apresentou a ele suas ideias. Por Folhapress

Depois de ensinar dois dos homens mais ricos do mundo, o professor de matemática e ciência da computação Harry Lewis, 71, decidiu ele próprio ser sócio de uma empresa de tecnologia.

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Na prestigiada Universidade Harvard desde 1974, Lewis teve entre seus pupilos Bill Gates e Mark Zuckerberg. Os dois abandonaram o curso antes do fim para apostar em startups, que vieram a ser a Microsoft e o Facebook.

Agora, já com uma carga horária de aulas mais leve e em vias de se aposentar, o que acontecerá na metade de 2020, Lewis tem se dedicado à startup Zerho, de segurança digital.

O professor afirma que, além do maior tempo disponível, a decisão de entrar no negócio foi tomada levando em conta o desafio intelectual que o mercado no qual irá atuar traz.

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Lewis, que se tornou um dos diretores da empresa logo em seu início, em 2017, participa do negócio tanto como um consultor técnico para o desenvolvimento da inteligência artificial usada no serviço da companhia como como diretor e membro de seu conselho de administração.

A startup foi criada por um de seus antigos alunos, Andrew Auerbach, 30, que é o presidente da companhia e conhecido de Lewis há dez anos.

O professor disse já ter recebido outros convites para se associar a empresas de seus estudantes, mas, apesar de os projetos serem bons, não se sentiu motivado a fazer parte deles.

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“Não iria entrar em um negócio que fosse mais uma empresa de propaganda digital. Não que haja um problema, mas não haveria um interesse intelectual para mim”, diz o professor.

Auerbach afirma que o diferencial da Zerho em relação a seus concorrentes está no fato de ela usar inteligência artificial para, monitorando o funcionamento de computadores e redes, prevenir ataques cibernéticos, dar orientações sobre como combatê-los e aprender com tentativas de invasão anteriores e simulações feitas pelo próprio sistema da empresa.

Além de se sentir provocado pela dificuldade técnica imposta por essa proposta, Lewis diz que foi atraído pelo negócio devido a sua importância social.

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“Sou comprometido com a privacidade dos indivíduos, com o controle de informações. Quando vemos vazamento de dados, não é só um custo para as empresas. É uma violação fundamental de direitos de seus clientes”, afirma o professor.

Sobre a privacidade dos usuários, Lewis afirma que viu o projeto do Facebook com alguma preocupação em relação ao tópico já em seu início, quando Zuckerberg, ainda estudante, apresentou a ele suas ideias.

O primeiro protótipo do que seria mais tarde a rede social se chamou Six Degrees to Harry Lewis (seis degraus para Harry Lewis) e mostrava qual a distância, em termos de conexões pessoais, cada indivíduo estava em relação ao então reitor da universidade. O sistema fazia o cálculo a partir de notícias do jornal da escola.

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“Eu disse que poderiam usar meu nome no projeto, eram informações públicas. Mas, em algum momento, quando você agrega muita informação pública, parece estar invadindo a privacidade.”

O Facebook vem sendo alvo de críticas a respeito do tratamento que dá às informações pessoais dos usuários desde que foi revelado que a consultoria política Cambridge Analytica, contratada pela campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, obteve dados de eleitores sem autorização deles para o envio de propaganda personalizada. A ação teria ajudado o republicano a vencer a eleição, em 2016.

Nesse sentido, o antigo mestre diz ter ficado muito feliz com a recente notícia de que Zuckerberg quer ampliar a privacidade e a proteção dos usuários de seu serviço privilegiando as conversas privadas na rede, em detrimento da comunicação pública.

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A Zerho, que vinha testando seu serviço com grupo pequeno de clientes e acaba de se lançar no mercado, terá no Brasil uma de suas regiões prioritárias, por estar entre os cinco com maior número de ataques cibernéticos, segundo Auerbach.

O presidente da startup estará no país neste mês em busca de investidores e em reuniões com potenciais clientes.