O Kwid surpreende e vira líder de vendas da Renault no Brasil

Desde o lançamento, o Kwid já vendeu mais de 110 mil unidades no Brasil e a Renault acaba de apresentar a versão Outsider Da Reportagem De São Paulo

Desde que foi lançado no Brasil, em agosto de 2017, o Kwid não para de surpreender. Logo tornou-se o Renault mais vendido do País – passou a vender 50% a mais que o antigo líder da marca, o Sandero – e encerrou 2018 como o sétimo carro mais emplacado do Brasil, com média de 5.610 unidades mensais. Em 2019, o Kwid pulou para a quinta posição do ranking, com as 23.981 unidades emplacadas no primeiro quadrimestre.

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Com quase seis mil unidades vendidas por mês, ficou atrás apenas do Chevrolet Onix, do Hyundai HB20, do Ford Ka e do Chevrolet Prisma. Em abril, o Kwid vendeu 7.319 unidades e deixou para trás o sedã da Chevrolet, beliscando pela primeira vez a quarta posição do ranking. Desde o lançamento, o Kwid já vendeu mais de 110 mil unidades no Brasil. Para manter o embalo, a Renault acaba de apresentar a versão Outsider, o novo topo de linha do Kwid, que incorpora novidades de design e conectividade.

O Kwid Outsider se une às outras três versões já conhecidas pelo público – Life, Zen e Intense. A nova configuração mantém as características mais marcantes do Kwid, como a altura elevada do solo (18 centímetros) e os bons ângulos de entrada (24 graus) e de saída (40 graus), que permitiram ao veículo se encaixar na categoria dos utilitários esportivos segundo a legislação brasileira. A nova versão traz de série o Media Evolution, central multimídia da Renault, com tecnologia Android Auto e Apple CarPlay, que permite usar Spotify, Waze, Google Maps (Android Auto) e reproduzir áudios de Whatsapp na tela de sete polegadas touchscreen capacitiva, com melhor precisão do toque. Do lado de fora, o Kwid Outsider recebe skis frontal e traseiro – elementos prateados na parte inferior dos para- choques, feitos para ajudar a direcionar o fluxo de ar -, barras de teto, proteções laterais, molduras do farol de neblina e calotas na cor preta, além de vistosas adesivações com o logo “Outsider” nas portas dianteiras, abaixo dos retrovisores. Já o interior da versão apresenta novo revestimento dos bancos, com o nome da configuração bordado no encosto dos dianteiros, e detalhes alaranjados nas portas, no volante e no câmbio.

Com seus 3,68 metros de comprimento,1,58 metro de largura, 1,47 metro de altura e 2,42 metros de entre-eixos, o Kwid aparenta ser maior do que é graças à altura elevada e às formas protuberantes. A grade, ladeada por faróis alongados, remete às dos utilitários esportivos da Renault em todo o mundo. Sobre duas travessas horizontais, com elementos vazados que parecem elos de uma corrente, se apoia o logotipo losangular, que recorta a tampa do capô. Na traseira, o “estilo SUV” é ressaltado pelo revestimento preto em toda a área abaixo da tampa do porta-malas e pelo aerofólio. Ainda na traseira, um detalhe bem bolado: a lente da câmera traseira está “camuflada” no centro da logomarca do porta-malas.

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O “powertrain” do Kwid Ousider traz o mesmo motor 1.0 SCe (Smart Control Efficiency) com três cilindros, 12 válvulas, duplo comando de válvulas (DOHC), acoplado à transmissão manual de 5 marchas, que move o restante da linha. Com etanol no tanque, o tricilíndrico rende 70 cavalos de potência a 5.500 rpm e torque de 9,8 kgfm a 4.250 rpm. Com gasolina, são 66 cavalos a 5.500 rpm e 9,4 kgfm a 4.250 giros. Além do indicador de troca de marchas, de série em todas as versões, o Kwid traz um indicador de estilo de condução abaixo do velocímetro.

Além das medidas

A avaliação do Kwid Outsider aconteceu no para e anda dos infindáveis congestionamentos paulistanos. Embora o “espírito SUV” e o charme aventureiro dos utilitários esportivos sejam sedutores e ajudem a vender carros, quem entra no Kwid Outsider logo nota que se trata de um subcompacto urbano. A versão não apresenta nenhuma alteração no comportamento dinâmico, já que não passou por mudanças mecânicas.

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Apresentado em 2016 no Sandero, o motor SCe 1.0 de três cilindros e 12 válvulas é moderno, todavia perdeu alguns recursos tecnológicos quando foi ajustado para o Kwid. No Sandero 1.0, o tricilíndrico obtém 82 cavalos com etanol, enquanto no Kwid gera apenas 70 cavalos. Como o Kwid pesa apenas 806 quilos nessa versão Outsider – 20% ou exatos 205 quilos a menos que o Renault Sandero Expression 1.0, que pesa 1.011 quilos -, o subcompacto aventureiro facilita a tarefa do trem de força. Nada que se reverta em grande esportividade ou performances emocionantes. A aceleração de zero a 100 km/h do Outsider pode ser feita no mesmo tempo das outras versões.

O câmbio manual de 5 velocidades tem engates razoavelmente precisos. O ajuste mais rígido da suspensão, necessário para evitar que um carrinho com a suspensão tão elevada aderne demasiadamente nas curvas, acaba sacrificando um pouco o conforto. O Kwid “quica” um pouco. Apesar da opção pela suspensão mais rígida, as rolagens de carroceria são mais perceptíveis do que o padrão dos hatches compactos. Os pneus aro 14 são estreitos, não colaboram muito em termos de estabilidade e não há controle eletrônico de estabilidade ou de tração.

A conclusão é que, apesar de ser anunciado pela Renault como o “SUV dos compactos”, na prática, o Kwid é um subcompacto que é melhor aproveitado na cidade ou para viagens curtas, mais coerentes com a proposta urbana do modelo. Na Outsider, o apelo jovem e esportivo do Kwid é ainda mais explorado, o que pode ajudar nas vendas.

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*Por Luiz Humberto Monteiro Pereira, da Agência AutoMotrix