Por visual agressivo, Fórmula 1 vai ter carros mais pesados da história em 2021

Os carros de 2021 serão os mais pesados da história, podendo até passar pela primeira vez a barreira dos 900kg quando estiverem prontos para largar no GP da Austrália Por Folhapress

Quando os pilotos passaram a fazer parte das reuniões em que a Fórmula 1 discute seu novo regulamento, um dos três pilares que eles pediram que fossem revistos era o peso dos carros. Os engenheiros, inclusive, concordam que este é um problema nos veículos atuais, pois acaba forçando os pneus e inibindo as disputas.

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Mas não vai ter jeito: os carros de 2021 serão os mais pesados da história, podendo até passar pela primeira vez a barreira dos 900kg quando estiverem prontos para largar no Grande Prêmio da Austrália.

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Isso será o subproduto de duas mudanças questionadas pelos próprios engenheiros, a começar pela adoção de pneus de 18 polegadas, bem mais pesados que os atuais. Trata-se de uma mudança que visa deixar o visual do carro mais agressivo, sem qualquer motivação técnica, e que vai adicionar pelo menos 8kg no peso total do carro.

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“Foi uma decisão tomada há muito tempo. Se você souber dizer de onde veio essa ideia, por favor me diga”, brinca o chefe de corridas da Pirelli, que fornece os pneus para a F-1. “Há muitas discussões em relação ao peso porque os carros foram ficando mais pesados por conta da segurança – mas pelo menos são mais seguros – e também por conta dos motores. Mas essa conta pode aumentar junto com os pneus por conta dos aros, dos freios, etc. No total, estamos falando em pelo menos 35kg a mais. Para nós, é pior, porque esse peso a mais tem de ir para algum lugar, ou seja, é mais pressão para o pneu.”

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Outra questão é a proposta de aumentar a quantidade de peças padronizadas a fim de diminuir os custos da categoria. Menos desenvolvidas, estas peças são mais pesadas.

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Não que este seja um problema novo para a F-1. De 2010 para cá, os carros “engordaram” 100kg, seguindo uma tendência que começou há 25 anos por questões de segurança, mas que acelerou-se desde 2009, com a adoção de soluções híbridas para os motores.

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Não por acaso, quem pilotou os carros pré-2009, como Robert Kubica, sente muita diferença. “Os carros têm pelo menos uns 60kg a mais. Nas curvas, mais parecem um ônibus. Foi a primeira coisa que eu notei quando testei um carro atual pela primeira vez”, disse o polonês, que teve um acidente em 2011 e só voltou a andar com um F-1 em 2017.

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Mesmo pesados, os carros atuais são os mais velozes da história e estão constantemente batendo recordes de tempo de volta – alguns deles, inclusive, que duravam desde 2004, quando o peso mínimo era de 600kg. Hoje, os carros pesam, no mínimo, 740kg e chegam a 850kg no início das corridas, quando estão com o tanque cheio. Mesmo assim, as unidades de potência híbridas são tão eficientes e a aerodinâmica, tão avançada, que os tempos de volta são mais baixos.

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Mas o argumento dos pilotos é que um carro mais pesado primeiro precisa de um freio mais forte – e o freio dos F-1 hoje é tão bom que acaba prejudicando a luta por posições, já que frear mais tarde que o rival deixou de ser um diferencial tão grande como no passado – e também aumenta a necessidade de gerenciar os pneus. Mais uma vez, quem perde são as disputas.

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Curiosamente, quem mais reclama do peso dos carros é o piloto que mais venceu nos últimos anos, Lewis Hamilton. “Falei com meus engenheiros e eles disseram que, se mudarem as regras, dá para voltar aos 600kg. Só temos que tirar algumas coisas do carro, alguns itens de performance. É factível”, argumentou o inglês.

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Mas o diretor técnico da Ferrari, Laurent Mekies, discorda do piloto. “Não há nenhuma solução mágica para o peso do carro. Quanto mais peças padronizadas tivermos, mais pesados eles serão. O lado positivo do porquê o carro teve aumento de peso nos últimos anos é por conta da segurança. É claro que temos também uma unidade de potência super eficiente, então acho que é difícil voltar atrás em termos de peso. Só temos de tomar cuidado com a quantidade de peças padronizadas que introduzimos agora.”

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MOTOR E SEGURANÇA

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Os carros atuais têm largura e pneus com dimensões comparáveis às de 1991, por exemplo, mas são pelo menos 150kg mais pesados. De onde vem toda essa diferença?

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A primeira imposição de peso mínimo na F-1 foi adotada em 1961 e era de 450kg. Afinal, nos anos anteriores, várias fatalidades haviam marcado o esporte: apenas em 1958, morreram Peter Collins, Luigi Musso e Stewart Lewis-Evans, em tempos nos quais até colunas de direção tinham furos para serem mais leves.

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O peso mínimo foi subindo juntamente com a adoção de medidas para aumentar a segurança dos carros e chegou perto de 600kg no início dos anos 1980, mas abaixou novamente na era turbo, quando os carros voltaram aos 500kg.

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As mortes de Senna e Ratzenberger em 1994 são consideradas um marco em termos de aumento da segurança e para que uma série de medidas fosse adotada, fazendo o peso mínimo voltar aos 600kg, algo que se manteve até 2009, quando começou uma sucessão de aumentos relacionados ao uso de energias renováveis e outras mudanças no regulamento até que chegamos aos carros mais pesados da história da F-1 em 2019.

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Ainda há muitas discussões sobre a quantidade de peças padronizadas que serão adotadas em 2021 e, ainda que o prazo final para a publicação das regras seja dia 31 de outubro, acredita-se que muitos fatores ainda permanecerão em aberto. Por conta disso, é difícil fechar um número de peso mínimo por enquanto, mas não há dúvida de que serão os carros mais pesados da história.

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*Por Julianne Cerasoli, da Folhapress