O agronegócio exportador de frutas submete seus trabalhadores a situações degradantes. O desrespeito a direitos básicos inclui a contaminação por agrotóxicos, intimidações, ausência de banheiros e de refeitórios no ambiente de trabalho. O setor, que fatura R$ 38,9 bilhões por ano (IBGE), também submete seus trabalhadores à miséria e à vulnerabilidade social. Essas conclusões compõem o relatório “Frutas Doces, Vidas Amargas”, divulgado na quinta-feira pela organização independente e sem fins lucrativos Oxfam Brasil.
O estudo foi feito nas cadeias produtivas de melão, uva e manga no Rio Grande do Norte e nos municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), localizados no perímetro irrigado do Vale do São Francisco. Além de abastecer boa parte do mercado interno, essas regiões abrigam grandes exportadores, com mercados consolidados há décadas na Europa e na América do Norte. A situação é especialmente crítica para os safristas, que só conseguem trabalhar durante seis meses, durante a colheita das frutas. A Oxfam dividiu pelos 12 meses do ano o valor recebido pelos trabalhadores na safra de melão, manga e uva, o que resultou em um valor médio mensal de R$ 687,88, R$ 593,50 e R$ 590,96 respectivamente, todos abaixo do salário mínimo atual, de R$ 998,00.
Só para deixar registrado!
Alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), instituto federal brasileiro dedicado à pesquisa e exploração espacial, divulgado sexta-feira apontou que o desmatamento na Amazônia entre janeiro e setembro deste ano cresceu 92,7% na comparação com os nove primeiros meses de 2018. A área desmatada já atingiu 7.854 km² em 2019.
Papo reto da Europa…
Sob a liderança do socialista David Sassoli o Parlamento Europeu vetou a importação de todo e qualquer produto contendo três organismos geneticamente modificados resistentes ao glifosato e ao glufosinato de amônio. A decisão aconteceu uma semana após o Governo Bolsonaro liberar o uso de mais 57 venenos agrícolas nas lavouras brasileiras.
…para Bolsonaro.
Entre os transgênicos vetados estão duas variedades de milho e uma de soja. Os eurodeputados justificaram que essas plantas resultam em maior uso de herbicidas potencialmente cancerígenos e disseram que a soja incentiva o desmatamento na América do Sul. A União Europeia é o segundo maior importador de soja do mundo.
Chocolate de verdade.
Tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4617/19 que determina um percentual mínimo de 35% de cacau nos chocolates produzidos no Brasil. Segundo a deputada Lídice da Mata (PSB/BA), autora do PL, a ideia é aprimorar o mercado nacional, aproximando-o do padrão de qualidade europeu e norte-americano. Hoje, o mínimo exigido é 25%.
Flores e perfumes.
A bela florada nos cafezais pintou de branco as regiões da Mogiana (SP), Zona da Mata (MG), Cerrado e Sul Mineiro nos primeiros dias deste mês.
Filosofia do campo:
“Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça, então, somos companheiros”. Ernesto Guevara (1928-1967), médico argentino.